sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O Trauma de Jefté e a Vitória de Gideão! Exemplos marcantes para a nossa Realidade!

O Trauma de Jefte e a Vitória de Gideão



Posted on maio 22, 2010 by Rogerio

 
O TRAUMA DE JEFTE E A VITÓRIA DE GIDEÃO

 
          Neste paralelo proposto entre Jefté e Gideão, quero destacar a forte diferença que uma família redimida faz em termos dos resultados colhidos na batalha espiritual. A história de Jefté fala sobre um homem que morava na famo­sa Gileade, a terra do bálsamo, mas que não foi curado.
 
          O drama de Jefté, o perigo de um líder que não foi sarado por e que acabou não deixando descendência e sucessor. Ele o destruiu sua posteridade. Trouxe a morte para dentro da casa. O preço de entrarmos em determinados níveis de bata-espiritual sem estarmos suficientemente curados pode ser muito problemático. No caso de Jefté, foi a própria filha. Como podemos conferir, o ponto principal de ataque do inimigo é a família.
 
          Ao contrário de Jefté, Gideão soube discernir todos aspectos que envolviam o seu chamado para aquela guerra. Ele era um ho­mem sarado, que soube restaurar sua família e triunfou incólume numa grande vitória.
 
O TRAUMA DE JEFTÉ (Jz 11) – O FRACASSO DA VITÓRIA
 
           E Jefté fez um voto ao Senhor, dizendo: Se tu me entregares na mão os amonitas, qualquer que, saindo da porta de minha casa, me vier ao encontro, quando eu, vitorioso, voltar dos amonitas, esse será do Senhor; eu o oferecerei em holocausto. Assim Jefté foi ao encontro dos amonitas, a combater contra eles; e o Senhor lhos entregou na mão. (Jz 11:30-32.)
 
           Esse foi o voto de Deus feito por Jefté. O que levaria uma pessoa a fazer um voto como esse a declaração “qualquer que, saindo da porta da minha casa, me vier ao encontro” indica que de alguma forma Jefté estava expondo sua família. Ele estava abrindo a porta da sua casa para um espírito de morte. Tenho dúvida» sinceras se Jefté podia ou não imaginar que o preço da vitória seria a vida da sua filha. Se, calculadamente, ele estivesse disposto a sacrificar a filha pelo sucesso pessoal, o que levaria um pai a isso?
 
          Vamos, portanto, dar um mergulho na alma de Jefté, deixando com que a Bíblia nos esclareça os bastidores da situação.
 
PERSONALIDADE DESCOMPENSADA
 
          Voltando ao início da história de Jefté podemos acompanhar uma série de acontecimentos traumáticos que promoveram abalos comprometedores na sua personalidade.
Era então Jefté, o gileadita, homem valoroso, porém filho duma prostituta; Gileade era o pai dele. (Jz 11:1.)
 
          Podemos perceber uma balança neste versículo, na qual dois pesos são contrabalançados tendo como ponto intermediário o “porém”.
 
No primeiro prato da balança temos:
  • Jefté era gileadita. Morava na terra do bálsamo. Era um lugar muito abençoado. Gileade era uma cidade famosa pela des­treza, força e saúde dos seus filhos.
  • Era um homem corajoso e valente. Um grande guerreiro.
  • Tinha um excelente potencial de liderança. Em qualquer situação, sua liderança destacava.
  • Servia a Deus com muita seriedade. Era valoroso, homem de palavra. Manteve o voto de sacrificar a própria filha.
          Muitas vezes estamos numa igreja abençoada, onde há o bálsamo de Deus. Temos fôlego e disposição para servi-lo. Há um grande potencial de liderança em nossa vida. Somos sinceros e procuramos andar retamente diante do Senhor. Tudo isso como Jefté. Porém, no segundo prato da balança: H* Era filho de uma prostituta. Este grande “porém” em sua vida foi onde todo o seu potencial B descompensou.
 
          Isso passou a ser um referencial de identidade perante sua família e, consequentemente, perante toda a socieda­de. O peso de um legado como esse pode facilmente impedir o desenvolvimento psicoemocional de um indivíduo,  comprometendo seu destino, Jefté estava debaixo de um terrível legado de rejeição e imorali­dade. Um homem maldito e discriminado. Era literalmente a expressão da vergonha do pecado do pai. Era filho de um adultério. Esse fútil legado estava consumindo-o internamente. Golpes de rejeição afligiam continuamente sua alma.
 
          Como que, vez após vez, Satanás o esfaqueasse com esta dolorosa realidade, para que em por um momento ele viesse a se esquecer de que era inferior, impuro, filho da prostituta. Isso o empurrava para baixo dentro de si mesmo.
 
          O ataque mais fulminante de Satanás é a rejeição. Ela se aloja tão profundamente na mente que produz orfandade e esterilidade. A maldição familiar é propagada primariamente através da re­jeição. Um passado de orfandade não resolvido produz um futuro de esterilidade ou perda de filhos. Aqui fica fácil entender como uma situação não resolvida como esta, pode pesar contra nós quando resolvemos ir para a linha de Batalha.
 
Nessa brecha de rejeição, Satanás colocou sua cunha e começou a bater. Golpes fortes e calculados acabaram expelindo Jefté da sua família.
 
1. A rejeição pelos irmãos:
 
          Era abertamente taxado pelos “meio-irmãos” como o “filho de outra mulher”. Por causa da identidade que ganhara – filho da prostituta – imediatamente ele se viu sem herança. Quando sua identidade foi traumatizada, os relacionamentos se tornaram ame­açadores e a herança acabou sendo saqueada.
 
… quando os filhos desta eram já grandes, expulsaram a Jefté, e lhe disseram: Não herdarás na casa de nosso pai, porque és filho de outra mulher. (Jz 11:2.) Ele foi deserdado, expulso de casa sem direito a herança. Foi também expulso da cidade: Jefté, porém, perguntou aos anciãos de Gileade: Porventura não me odiastes, e não me expulsastes da casa de meu pai? (Jz 11:7.) Este estigma começou a nutrir uma ferida muito grande na vida de Jefté.
 
2. A indiferença do pai
 
          Gileade parece não fazer nada para resolver esta situação: na verdade foi ele quem criou e seria, portanto, o mais irresponsável. Enquanto Jefté sentia as consequências, Gileade parado, calado, sem fazer nada. Quando os irmãos o deserdaram o pai não fez nada, ele por tantas vezes foi agredido moralmente por ser filho de outra”, e o pai nunca fez nada. Quando os anciãos o expulsaram de sua própria casa, o pai continuou não fazendo nada. Imagino que isso tenha ferido ainda mais Jefté.
 
          O grande problema de Jefté não eram seus irmãos que o rejeitaram ativamente, mas o seu pai que o rejeitava passivamente Vivenciava a dor de um filho abandonado e totalmente de pelo pai. Claramente Jefté foi um filho desprezado por ele.
 
3  a vergonha da mãe
 
          Sua mãe era uma prostituta, uma mulher vil e discriminada pela sociedade. Fico imaginando quantas vezes Jefté via sua mãe saindo com outros homens. Aquilo o machucava. Uma vergonha tamanha era constantemente sedimentada na sua alma.
 
          Lembro-me da história de um querido irmão e amigo que veio do submundo do crime. Ele morava num barraco, numa das favelas de maior volume de tráfico no Rio. Era apenas uma criança. O barraco em que morava era tão pequeno que sua cama era debaixo da do irmão mais velho. Frequentemente, daquele cantinho, testemunhava a mãe entrando com homens conhecidos e desconhecidos. Aquelas relações sexuais o atormentavam, mas ele sabia que era a única fonte de renda da família. Ele não teve dúvidas: aquela dor que vinha de um sentimento de impotência e da vergonha moral a que foi submetido o transformou precocemente num dos bandidos mais perigosos do morro.
 
          Esse era também mais um pesadelo de Jefté. Ele tinha de carre­gar nas costas e na face o pesar em relação à vulgaridade da mãe. Por onde ia, essa vergonha o atormentava.
 
4. O abandono do lar
 
          Então Jefté fugiu de diante de seus irmãos… (Jz 11:3.) Aqui, Jefté abertamente corresponde à rejeição recebida com rebelião. Não suportando o impacto da dor emocional, ele aban­donou o lar numa atitude de represália e desgosto. Após esse quadro de linchamento emocional, Jefté fugiu de casa. Porém, ape­sar de ter saído da situação, obviamente, a situação não saiu de dentro dele. Levou consigo uma grande dor e uma pesada baga­gem de tantas pedradas recebidas.
 
          Ele carregava dentro de si uma ferida que se mantinha aberta pela possibilidade de uma vingança emocional. Sua alma estava esburacada pela rejeição. Isso se tornou sua motivação existencial, fazendo dele um homem em perigo e potencialmente perigoso.
 
5. A marginalização: a maldição do filho bastardo
 
… e habitou na terra de Tobe; e homens levianos juntaram-se a Jefté, e saiam com ele. (Jz 11:34
Machucado e desprotegido espiritualmente, ele mesmo se mar­ginalizou, segregou-se, confirmando seus sentimentos de rejeição. Acreditou na rejeição. Essa é espiritualmente “a terra de Tobe”, um ambiente de orfandade, onde nos sentimos renegados pela família e a renegamos. Esse é um lugar de muitos traumas e feri­das. Tobe é a “rua” para onde muitos vão fugindo do lar que se tornou uma ameaça. Só que neste caso, a “rua” Tobe não está fora, mas dentro das pessoas.
 
A maldição do bastardo

A Bíblia explica a dinâmica de um filho bastardo.
Nenhum bastardo entrará na assembléia do Senhor; nem ainda a sua décima geração entrará na assembléia do Se­nhor. (Dt23:2)

          Acredito que este texto discerne uma das maiores cargas do coração de Deus em relação a esta sociedade modernista. Temos em pauta a dramática consequência espiritual dos filhos que são gerados fora da aliança do casamento. Uma aliança tem o poder de congregar, proteger e abençoar as pessoas em todas as condições da existência. Em contra-partida, toda afronta contra o princípio da aliança dispersa as pessoas, expulsando-as do meio onde de­veriam ser protegidas e geradas. Bênção e maldição são situações inteiramente ligadas com o princípio da aliança.
 
          A maldição do filho bastardo pode ser traduzida na síndrome da rejeição e segregamento. São os solitários no meio da multidão, independentemente de que meio seja este. O que este versículo realmente quer dizer com não entrará na congregação do Senhor? Filhos concebidos fora da aliança de casamento quase sempre não foram planejados e por isto inicial­mente também não são bem recebidos. São gerados na lascívia e não no amor. Na verdade esta inocente criança passa a ser a péssima notícia, o maior problema da vida daquelas pessoas. Rara mui­tos ele é até visto como “castigo de Deus” e a vergonha da família.
 
          Tentativas de esconder a gravidez, cogitações e até iniciativas de aborto, desentendimento entre o casal, abandono do parceiro (pai), rejeição pelos avós, palavras de maldição ditas contra a situ­ação e o filho indesejado, etc. invocam um espírito de rejeição e segregamento que segue esta pessoa ao longo da sua vida parasitando sua auto-estima.
 
          Essa criança cresce com um profundo sentimento de inadequação. Perseguida por esse espírito, torna-se irritada e rebelde. Não se sen­te parte da família, não consegue se encaixar na igreja, fica à mar­gem na escola. Vê a si mesmo como o patinho feio e com uma difi­culdade constante de se ajustar em qualquer ambiente.
 
          Aqui entendemos a complicada síndrome dos meninos de rua e o drama que muitos pais de filhos adotivos experimentam. Ape­sar de muitos pais adotivos criarem o filho com todo amor e disci­plina, eles apresentam uma postura de rebelião e segregamento “inexplicável”. Estão debaixo ainda do legado dos pais biológicos que, na maioria das vezes, envolveu prostituição, abandono, mi­séria, filho bastardo, estupro, etc. Ignorar esse componente here­ditário tem colocado muitos pais adotivos num beco sem saída.
 
          Existe também um caráter hereditário na situação de filhos bastardos que a Bíblia não deixa de mencionar. Portanto, pessoas que geram filhos fora da aliança do casamento quase sempre são também filhos de mães solteiras e apenas estão reproduzindo a própria condição. O manto do filho bastardo é capaz de se esten­der até dez gerações, o que estabelece o limite até quando a ini­quidade precisa ser confessada em relação aos nossos pais.
 
          Uma dificuldade crônica de congregar e frutificar no corpo de Cristo está diretamente ligada à maldição do filho bastardo. Certa­mente, isto é o que mais impede as pessoas de serem batizadas no corpo de Cristo e no coração de Deus. É o resultado dramático da quebra ou do pecado contra a aliança conjugal.
 
          Em libertação, temos atendido muitos casos de pessoas que demonstram esta dificuldade enclausurante de congregar. Quan­do perguntamos sobre a situação conjugal debaixo da qual a pes­soa foi gerada, a resposta evidencia um caso de filho fora da alian­ça de casamento. Quando a maldição é devidamente quebrada, a pessoa naturalmente sente-se parte da igreja e se encaixa nela.
 
          Esta é a maldição do filho bastardo que também se estigmati­zou na vida de Jefté. Ele tornou-se um líder muito zeloso, po­rém ferido. Isso, de alguma forma, corrompeu seu conhecimento de Deus, o que se evidencia quando ele empenha a vida da pró­pria filha num voto a Deus.
 
O PRINCÍPIO DA RETALIAÇÃO

          Armadilhas e retaliações sempre acontecem à sombra de forta­lezas espirituais internas ou “brechas”. Quando uma pessoa man­tém uma ferida aberta em sua vida, então as coisas se tornam mui­to fáceis para o inimigo. As feridas da alma debilitam a pessoa tornando-a uma presa fácil. O ataque certo, no ponto certo, na momento estratégico, pode facilmente conduzir a pessoa a uma armadilha fatal.
 
          Qualquer oportunidade que nos leva a ignorar conflitos não resolvidos é potencialmente perigosa. Por um lado a pessoa É uma fonte inesgotável de inspiração e motivação baseada na dor emocional que sente. Por outro lado já está com o anzol do inimi­go na boca. A posição de liderança sem a genuína autoridade e a corres­pondente patente que vem do alto implica a dinâmica de um sonho que vira pesadelo. O conflito não resolvido de hoje é a cria de amanhã.
 
          Jefté subitamente é levantado como líder da sua cidade. Quem estava por trás dessa situação? Deus ou o diabo? Pode até ser que ambos. Independentemente de qualquer coisa, foi algo muito peri­goso. Um homem ferido e marginalizado de um momento para o outro, torna-se o líder da cidade. Isso me faz lembrar de muitos casos nos quais um pastor sai arrebentado de um ministério e já é convidado para assumir a liderança de outra igreja. Os pecados não são resolvidos e as feridas não são investigadas e muito me­nos tratadas. Tudo em nome do “amor” e em prol do potencial e do carisma da pessoa.
 
          Assumir uma posição de liderança sem estar suficientemente curado é uma das mais terríveis armadilhas em que um líder pode cair. É nesse sentido que a Bíblia afirma: O receio do homem lhe arma laços (Pv 29:25.) Essa bajulação em forma de “amor” que igno­ra a integridade moral e um verdadeiro quebrantamento da pessoa é uma autêntica cilada. A tendência dessas situações é de se repeti­rem em profundidades e consequências cada vez mais graves.
 
          Os anciãos de Gileade precisavam de um testa-de-ferro, e Jefté queria estar por cima daqueles que antes o rejeitaram. Estava pronto a negociar qualquer coisa por uma situação como essa. Aqui esta­va sua oportunidade de compensar sua inferioridade perante sua família e cidade de onde saiu com o rabo entre as pernas. Inspira­do por essa dor de ser um renegado, ele liderou o exército de Israel na guerra. Na verdade, porém, estava mais vulnerável do que podia perceber. Então Jefté disse aos anciãos de Gileade: Se me fizerdes voltar para combater contra os amonitas, e o Senhor nos entregar diante de mim, então serei eu o vosso chefe. Res­ponderam os anciãos de Gileade a Jefté: O Senhor será tes­temunha entre nós de que faremos conforme a tua pala­vra. (Jz 11:9-10.)
 
          Jefté mal podia se conter pensando nessa virada de mesa. Ti­nha tanta necessidade de se auto-afirmar perante seus rejeitadores que negociou com Deus a ponto de expor sua própria família. Aquela oportunidade parecia um sonho. Não podia perdê-la. O maior perigo de uma liderança inspirada em feridas é que apesar da degradante situação espiritual que a pessoa está viven­do muitas vezes as coisas dão certo. Só que isto pode durar ape­nas algum tempo.
 
          Algumas vezes tenho acompanhado líderes vivendo situações críticas envolvendo pecados sérios. Eles se recusam a parar. Ten­tam justificar sua insistência com alguns resultados. Nesse pro­cesso em que a pessoa tenta se convencer de que Deus a está usan­do – e o pior é que muitas vezes até está mesmo – simultaneamen­te ela está sendo cevada para um golpe mortal. Muitos escândalos em relação a grandes líderes tem este selo.
 
          O mais dramático em toda essa situação é que, apesar de Jefté ter exposto sua filha em troca de uma vingança emocional em rela­ção à família que o rejeitara, a Bíblia fala que o Senhor lhe deu a vitória. Seria bem melhor se tudo tivesse dado errado de cara e sua filha única pudesse ter sido poupada. Assim sendo, muitas vezes até acertamos o inimigo, mas ele também nos acerta e mais bem acertado do que o acertamos. Isto é o que define uma retaliação. Jefté ganhou a guerra, mas perdeu a filha. Arruinou seu lar e extinguiu sua linhagem. Um preço deprimente. Nenhum tipo de vitória compensa a destruição da família.
 
FAZENDO UM DISCERNIMENTO DA BATALHA
 
          Vamos nos aprofundar um pouco mais desvendando o quadro espiritual no qual Jefté se inseriu. Quero mencionar apenas dois pontos relevantes no contexto espiritual vivenciado por Jefté:
A inconstância moral de Israel. O ambiente espiritual que envolvia os líderes da nação era ca­racterizado pela inconstância espiritual e falta de zelo para com Deus. Estava instaurada uma verdadeira crise de liderança. A nação vinha de um longo período no qual se consertava e logo após se desviava de Deus. Jefté entrou numa batalha sem cobertura nenhuma. A própria forma como sua posição de lide­rança foi negociada mostra que a nação estava sem nenhum teto espiritual.
 
Quem era o exército inimigo?

          Os amonitas. Quem eram os amonitas? Eram uns dos piores inimigos de Israel. Conhecer o inimigo gera informações que podem fazer a diferença entre a vitória e a derrota. Quando você identifica o inimigo, você pode discernir não só o tipo de tarefa que ele desempenha, como suas estratégias e sutilidade de ataque.  O principado demoníaco que dominava territorialmente em Amon pode ser identificado quando voltamos ao embrião espiritual dessa nação:
 
          Amon e Moabe eram filhos de Ló com suas filhas (Gn 19:24-8). Eram filhos bastardos frutos de um incesto. Tornaram-se povos avessos à salvação: Nenhum amonita nem moabita entrará na assembléia do Senhor; nem ainda a sua décima geração entrará jamais na assembléia do Senhor. (Dt 23:3.)
 
          Podemos identificar o principado demoníaco de Amon como a perversão sexual. Qual era o caráter do estigma que também descompensou a vida Jefté? Era também um filho bastardo, fruto de prostituição e adultério. Ambas as situações concorrem num mesmo quadro de imoralidade e perversão. Com isso desvenda-os a vulnerabilidade de Jefté em relação ao inimigo que teria de enfrentar. Estava numa batalha perdida. O inimigo já estava infiltrado na sua própria vida. Perversão sexual nunca é um pecado isolado. Envolve muitas outras situações, como bebedice, sedução, desonra ao pai, imoralidade, aliciamento, cumplicidade, opróbrio, inferioridade, rejeição e solidão.
 
          Ló, o pai dos amonitas, havia perdido tudo. Estava colhendo o todo da sua cobiça. Enquanto estava com Abraão, era um homem rico, porém acabou cobiçando e escolhendo as campinas do Jordão, o fértil vale de Sodoma. Agora, nada lhe sobrara. Foi traído pelos olhos e vencido pela cobiça, o que trouxe perturbação e destruição para sua família. O que se dá à cobiça perturba a sua própria casa (Pv 15:27.)
 
          A família foi contaminada pelo espírito de Sodoma. Não su­portaram o juízo de Deus. Sua mulher havia se tornado uma está­tua de sal ao deixar seu coração em Sodoma. Tornou-se um emble­ma da apostasia. As filhas estavam no mesmo caminho, perderam a casa, a cidade, os bens, a mãe, e agora perderam a moral e o respeito pelo pai.
 
…vem, demos a nosso pai vinho a beber, e deitemo-nos com ele, para que conservemos a descendência de nosso pai. (Gn 19:32.) Não podiam suportar o opróbrio de não deixarem uma descen­dência. Esse é um quadro de verdadeira ruína e miséria familiar. Essa foi a herança de Amon e Moabe. Assim podemos definir espiritualmente e entender melhor quem eram os amonitas.
 
          Vale a pena nos perguntar: Será que o que aconteceu com as filhas de Ló tem a ver com o que aconteceu com a filha de Jefté? Na verdade, o mesmo espírito que destruiu as filhas de Ló também destruiu a filha de Jefté. Ló e Jefté, um paradoxo maligno, dois heróis da fé que perderam a família. Milcom, abominação dos amonitas é uma entidade demoníaca que destrói os filhos através da perversão sexual.
 
          A imoralidade é um inimigo implacável que se achega à medida que nos afastamos do Senhor. O próprio Deus faz uma declaração interessante ao dizer: Moabe é a minha bacia de lavar… (SI 60:8.) Salomão entendeu esta dura verdade sobre o juízo de Deus: Salomão seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e a Milcom, abomi­nação dos amonitas (I Re 11:5), portanto confessa: E eu achei uma coisa mais amarga do que a morte, a mu­lher cujo coração são laços e redes, e cujas mãos são gri­lhões; quem agradar a Deus escapará dela; mas o peca­dor virá a ser preso por ela (Ec 7:26.)
 
          Quando alguém, principalmente um líder espiritual, cai nas [garras da imoralidade é porque já vem desagradando a Deus a muito tempo. Sofonias adverte sobre … aqueles adoradores que juram ao Senhor, e juram por Milcom. (Sf 1:5.) Analisando o perfil do inimigo e o conflito interno de Jefté, percebemos a armadilha na qual ele caiu quando aceitou o desafio de vencer os amonitas em troca da recompensa de se tornar o líder de Gileade: Vem, sê o nosso chefe, para que combatamos contra os amonitas. Foi a isca perfeita para o tipo de brecha espiritual que havia na sua vida. Jefté e sua família estavam comprometidos espi­ritualmente e subjugados pelo principado territorial dos amonitas.
 
          A retaliação viria certamente. Num voto louco “para Deus”, teve de destruir a vida da única filha em holocausto a Deus. Aqui percebemos que Milcom perverte o conhecimento de Deus e em-’ bota o discernimento espiritual. Tornou-se o “chefe da cidade”, mas destruiu sua linhagem. Nesta vingança emocional continuou sendo a pessoa mais prejudicada.
 
A VITÓRIA DE GIDEÂO – O PERFIL DE UM GUERREIRO PRUDENTE
 
          Deus trouxe uma grande restauração em Israel por causa de Gideão. Deus viu nele um potencial tremendo para destruir os ini­migos do seu povo. Era um homem de grande discernimento e um guerreiro prudente, que fez a guerra desfrutando de todo o conse­lho de Deus.
 
 
SETE DISCERNIMENTOS NA BATALHA ESPIRITUAL
  1. Tinha discernimento do inimigo
… Gideão, seu filho estava malhando o trigo no lagar, para o salvar dos midianitas. Então o anjo do Senhor lhe apareceu, e lhe disse: O Senhor é contigo, varão valoroso. (Jz 6:11,12.) Gideão estava atento em relação ao inimigo. Discernimento do inimigo é a base da verdadeira vigilância tão recomendada por Jesus. Gideão não deixou o inimigo roubar a sua colheita. Estava também atento em relação à herança de seus pais. Preci­samos ter consciência e discernimento do mundo espiritual que nos cerca. Gideão estava escondido, mas estava fazendo a coisa certa. Se você discerne o inimigo, saiba que Deus é com você, e é você que ele vai querer usar. Se você não discerne o inimigo, vai continuar a ser roubado.
 
     2. Tinha discernimento dos grandes feitos de Deus
 
     E que efeito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o Senhor subir do Egi­to? (Jz 6:13.) Gideão queria o agir de Deus. Ele queria seu poder disponível. Estava lembrando a Deus do seu poder. A nação já tinha se esque­cido do poder de Deus, mas ele não. Gideão sabia que o problema da nação não era a presença dos inimigos, mas a ausência de Deus. O nosso problema em batalha espiritual não são os demônios, mas é que em muitas áreas de nossas vidas já demos ao Espírito Santo “cartão vermelho”. Sem a presença de Deus, perdemos toda sustentação espiritual. Gideão não cometeu esse erro. Ele não se atreveu a entrar na batalha sem o Senhor dos Exércitos. Não dimi­nuiu o padrão da manifestação de Deus de que precisava e com a qual contava. Ele tinha grandes expectativas em Deus e não foi frustrado.
 
3. Tinha discernimento das suas limitações
 
          Então o Senhor olhou para ele, e disse: Vai nessa tua força e livrarás a Israel da mão dos midianitas: Porventura não te enviei eu? E ele lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que o meu milheiro é o mais pobre em Israel, e eu o menor na casa de meu pai. E o Senhor lhe disse: Por­ isso quanto eu ei de ser contigo, tu ferirás aos midianitas como se fossem um só homem. (Jz 6:14-16.) Gideão sabia da sua condição em si mesmo. Reconheceu suas limitações. Não se estribou no próprio entendimento. Foi humilde de fé. É dessa forma que acionamos o princípio no qual o poder de Deus se aperfeiçoa na nossa fraqueza.
 
          Existem duas coisas que podemos fazer quando encaramos nos­sas limitações: podemos dar um mergulho na inferioridade ou podemos fazer disso um trampolim para dependermos totalmente de Deus. Gideão permitiu que Deus o convencesse a depender dEle. Provou a Palavra de Deus e foi provado por ela, mas perse­verou. Experimentou a famosa matemática de Deus: “um com Deus é maioria, dois é covardia.” A consciência das nossas limitações gera a consciência do agir de Deus. A vitória se torna fácil. A fraqueza humana sempre com­bina com o poder de Deus. Aqui entendemos a suficiência da graça divina que impactou a vida do apóstolo Paulo: A tua graça me basta
.
4. Tinha discernimento da sua família

          Então Gideão edificou ali um altar ao Senhor, e lhe chamou, “o Senhor é paz”. E aconteceu, naquela mesma noite, que o Senhor lhe disse: toma o boi de teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos: e derriba o altar de Baal, que é de teu pai; e corta o bosque que está ao pé dele. E edifica ao Senhor teu Deus um altar no cume deste lugar forte, num lugar conveni­ente: e toma o segundo boi, e o oferecerás em holocausto com a lenha que cortares do bosque. (Jz 6:24-26.) Esse discernimento é o ponto fundamental que quero enfatizar, o ápice do discernimento de Gideão. Muitas coisas precisavam ser resolvidas em relação à sua família.
 
          Gideão levantou o altar da família: um altar da paz. Intercessoramente, ele reconciliou sua família com Deus. Estava trazendo a presença de Deus novamente para o lar. Resolveu iniquidades que estavam trazendo maldições para a família, pai era um servo de Baal. Estava espiritualmente amarrado família estava contaminada.
 
           Ele se pôs na brecha e intercedeu-a Colocou-se entre seus pais e suas respectivas iniquidades. Fez holocaustos necessários para a remissão dessas iniquidades maneira específica e em obediência a Deus. Tirou Baal de caril. Primeiro ele tomou o boi do seu pai, consagrando os negócios e os bens de seu pai a Deus. Tirou as mãos de Baal da sua herança. Logo após, derrubou o altar de Baal, ou seja, através do seu arrependimento corporativo, Deus estava purificando a cobertura espiritual procedente da sua família. Tirou sua família do jugo de Baal, desalojando-o. , Desta forma, ele mesmo já não estava mais sob o manto de Baal, mas sob o sangue do cordeiro e da comissão (B de Deus para libertar a nação.
 
          Ao substituir o altar de Baal pelo altar ao Senhor, através de um profundo arrependimento de caráter corporativo» intercessório, Gideão estava remindo sua família e sua propriedade de em relação às brechas dadas pelos seus pais. Consertou o lado espiritual da família. Antes de ser derrubado na nação, Baal foi derrubado na famíla de Gideão. Gideão não deixou espaço para nenhuma infiltração do inimigo que pudesse prejudicá-lo em relação à batalha na qual se empenhara. Foi um intercessor sarado que libertou espiritualmente sua família e nação.
 
5. Tinha discernimento da natureza da batalha
 
          Esse discernimento é uma extensão do discernimento anterior, Ele se levantou contra os inimigos da sua família. Levantar um altar de paz na família significa começar uma guerra com o inferno. Quantos estão dispostos a uma boa encrenca com o diabo. Quantos estão dispostos a ser um Jerubaal? Gideão se tornou um modelo de intercessor pela família. Ele comprou uma briga com o principado que assolava não só a nação, mas a sua família especificamente.
 
         Destruiu o altar de Baal sem lutar contra carne e sangue. Não li em nenhum conflito com seus familiares. Seu alvo era Baal. Manteve guerra com Baal e paz com a família. Quebrou espiritualmente as consagrações. Foi sábio, obedeceu a cada orientação de Deus e, pela fé, trouxe intercessoriamente o sangue do Cordeiro sua família. Grandes vitórias sempre começam com a restauração da família.
 
6. Tinha discernimento da vontade de Deus

          Ele teve a prudência de alcançar uma certeza absoluta da vontade Deus. Andou na dependência de Deus. Não caiu no laço soberba e da presunção. Buscou diligentemente a confirmação da vontade de Deus. Pôs para molhar e secar. Estava totalmente convicto de que o Senhor era com ele naquilo que ele estava fazendo. Não tolerou a mínima presunção que fosse. Também não mediu esforços para agir a si mesmo em prol da respectiva vontade revelada de Deus.
 
7. Tinha discernimento das estratégias de Deus.

          Estratégia, de fato, é algo que pode fazer a diferença entre a vitória e a derrota numa batalha espiritual. Para cada desafio existe uma estratégia de Deus. A essência de uma estratégia que funciona reside numa obediência de primeira mão. Estratégias que vêm por modismos constituem um dos principais laços do inimigo. Muitos ministérios têm amargado fortes derrotas por causa disso, e depois ainda tentam colocar a culpa na “estratégia”.
 
          As estratégias de Deus muitas vezes são humanamente irracionais. Não é fácil discerni-las e muito menos obedecer a elas. Exigem dependência de Deus, fé e muita ousadia. Gideão acabou indo lutar com apenas 300 homens, sem armas, apenas com cântaros vazios e uma tocha na mão contra um exército de mais de 130 mil homens fortemente armados.
 
          O segredo aqui é o quebrantamento. Quando os cântaros foram quebrados, o clarão das tochas derrotou as trevas e Deus confundiu e destruiu os midianitas. Quebrantamento gera a revelação que destrói os inimigos. Sem quebrantamento não podemos discernir e obedecer às estratégias de Deus. A grande chave da batalha espiritual é o discernimento, que vem de uma dependência total do Espírito Santo. Nada é mais importante do que nossa dependência de Deus.
 
 
CONCLUSÃO
 
          Jefté foi um homem que cresceu e viveu debaixo de um terrível legado de maldição. Foi ferido na sua identidade. Discriminado pelos irmãos, vítima da indiferença do pai e da vulgaridade da mãe, teve seus relacionamentos comprometidos e sua herança es­poliada. Acabou entrando numa batalha sem estar sarado. O “filho da prostituta” foi combater o “filho do incesto” e o resultado foi trágico. Tornou-se vítima do seu próprio potencial, tendo de sacrificar sua filha a Deus, o que Deus jamais esperava ou desejava que ele fizesse. Por sua vez, Gideão entrou na batalha com discernimento. Foi um homem sarado que soube intervir intercessoriamente quebrando o jugo de Baal sobre sua família e sua nação. Sua identidade ministerial brotou claramente em todo esse pro­cesso. Foi levantado como “Jerubaal”, ou seja, aquele que confron­tou e atropelou Baal. Um homem conhecido por Deus e conhecido no inferno. Protegeu seus relacionamentos, resguardou sua he­rança e libertou sua nação!
 
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