sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Voar nas Asas da Águia! Explicando a Crise Interior, a Rejeição, o Abandono! Explicando a Vitória! O vôo mais alto!



NAS ASAS DA ÁGUIA 
 
"Como a águia desperta o seu ninho, adeja sobre os seus filhos e, estendendo as suas asas, toma-os, e os leva sobre as suas asas, assim só o Senhor o guiou, e não havia com ele deus estranho".
Deuteronômio 32:10,11.
 
          O texto acima é parte do cântico que Moisés cantou antes de morrer; foi seu último cântico e foi proferido no limiar da terra prometida. Israel tinha chegado bem próximo à Canaã, sem contudo possuí-la.
 
          Moisés não chegou a entrar na terra, somente a avistou de longe. E numa verdadeira retrospectiva, ele olha para trás e fala da forma que Deus os havia conduzido desde que deixaram o Egito. E a ilustração natural que ele encontrou para resumir o que espiritualmente lhes ocorrera foi a da águia em seu vôo de adejamento. A ação de Deus em prol de seu povo foi por ele comparada com o a águia que leva seus filhotes em suas asas. 
 
          Primeiramente precisamos entender a ilustração natural para então entendermos o significado espiritual da afirmação deste profeta do Senhor. Os escritores da Bíblia tomavam exemplos das coisas que eles conheciam muito e bem e que dispensavam explicações aos que viviam dentro de seu contexto.
 
          Mas no tocante a nós, a compreensão não vem assim tão rápida! Eu nunca vi uma águia de perto, só em fotos e filmes; não entendo nada de águias, de modo que quando leio um texto bíblico dizendo: "como a águia"... isto não me diz nada. Mas um dia resolvi entender o comportamento da águia, e o que significa voar nas asas dela. O que descobri me tocou profundamente, pois pude ver esta verdade natural como um paralelo do agir de Deus em nossas vidas. 
 
          Lembre que Moisés estava olhando para trás e repassando a forma como Deus tinha agido para com eles quando deu esta ilustração, o que nos faz perceber que o Espírito Santo permitiu-lhe ver algo concernente ao agir de Deus. O Senhor age mediante seus princípios, e como eles não mudam, seu agir também não. O que Moisés viu, na verdade é um princípio para nós hoje também. Não se trata apenas de história, de algo do passado, mas sim de um princípio que se encaixa perfeitamente em nosso viver cristão. 
 
          Quem é que voa na asa da águia? Seus filhotes. Quando? Na hora em que precisam aprender a voar, a mãe águia os tira do ninho com sua asa e os leva para um passeio; lá pelo meio do passeio ela sacode a asa e joga o filhotinho para o alto, que no susto, no desespero, começa a bater suas asas, e é assim que aprende a voar. Geralmente o filhotinho não consegue voar no primeiro susto e despenca em direção ao solo; nestas ocasiões a águia mãe dá um vôo rasante e vai buscá-lo; leva-o de volta ao ninho e tempos depois vai repetir o processo até que ele aprenda a voar. 
 
          Este vôo nas asas da águia não é panorâmico, é um momento quando a maturidade é imposta. Trata-se de um tempo de amadurecimento, onde o filhote deixa de ser totalmente dependente e terá que ganhar sua própria vida. Logo, ao referir-se a Deus levando seu povo nas asas da águia, Moisés não falava de um vôo panorâmico, mas de um tempo onde o Senhor estava exigindo deles a maturidade. Até então Deus tinha feito tudo pelo povo, mas agora eles haviam chegado a um ponto onde teriam que crescer. Querendo ou não teriam mesmo que crescer! 
 
          Deus agiu assim com Israel e age assim conosco. Esta é uma crise pela qual cada cristão passa, sem distinção. Esta não é uma hora agradável. Ninguém gosta de deixar o ninho. Para que sair atrás de comida se no ninho só se precisa abrir a boca para comer o que a águia mãe traz? Eu não exageraria a ponto de dizer que é traumático mas, certamente, é um choque. Você sempre teve tudo à mão e de repente tem que se virar! O fácil ao qual estávamos acostumados se vai, e repentinamente tudo fica difícil; a princípio, não penso que alguém consiga ver tudo isto com alegria, pois é um momento de crise interior. Reflete abandono, rejeição. 
 
          Se Deus sempre fez tudo por nós, porque deixar de fazer? Não vemos isto com bons olhos até entendermos o que de fato está acontecendo. A verdade é que muitos cristãos não chegam a entender isto nunca! Culpam a Deus achando que Ele os rejeitou e acabam não crescendo nunca. Tomam o susto e mesmo assim não voam. Voltam ao ninho e o processo se repete; e como nunca voam, suas vidas tornam-se aquela mesmice de ficar sendo jogados para o alto, ter o frio na barriga, despencar precipício abaixo até que o Senhor os salve e recolha ao ninho. E depois tudo de novo... 
 
          A águia não é considerada uma mãe desnaturada por fazer isto com seus filhotes, pois sabemos que o que ela faz é benéfico, importante e indispensável. Só que quando o Pai Celeste age assim conosco, não entendemos e o acusamos. Esta crise de aparente abandono e rejeição é inevitável; é parte integrante da vida cristã. Se ainda não aconteceu com você, vai acontecer, é questão de tempo. É o amor de Deus operando com psicologia de águia. Se você já passou por isso, é importante que você entenda o que aconteceu, pois muitos cristãos ficam magoados com Deus e acabam interpretando errado os fatos, o que lhes impede de crescer e implica na repetição do processo. Caso ainda não tenha passado por isso, é importante que saiba o que de fato estará acontecendo nesta hora. Assim você não vai se desesperar e nem tampouco culpar a Deus. 
 
 
DEIXANDO A MENINICE 
 
          Precisamos crescer! A Bíblia fala do crescimento espiritual num perfeito paralelo com o crescimento natural. Menciona as criancinhas que precisam de leite e o adulto que come alimento sólido. Não há como ignorar o crescimento pois ele faz parte da vida.
 
          O apóstolo Paulo declarou: "Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino." (I Co.13:11). Quando somos crianças, comportamo-nos como tal, e as outras pessoas também nos tratam assim; mas ao crescermos, não somente temos que deixar de agir como crianças, mas as pessoas à nossa volta, e em especial os pais, também têm que deixar de nos tratar como crianças. 
 
         Não se pode permanecer na infância para sempre, nem naturalmente e nem espiritualmente. Temos que deixar de ser crianças birrentas e aceitar nosso crescimento. Como inicialmente ele aparenta abandono, acabamos por não dar as boas vindas à ele mas, depois, somos gratos por termos amadurecido.
 
 
O QUÊ MUDOU PARA ISRAEL 
 
          Basicamente, a diferença no agir de Deus para com os israelitas entre a fase de voarem nas asas da águia, e a fase do amadurecimento "forçado" ao entrarem em Canaã, são quatro:
1) alimento especial - o maná;
2) proteção especial - vestes e sapatos sempre novos;
3) direção especial - coluna de nuvem e de fogo;
·  ausência de guerra - Deus os desviou do caminho da Filistia exatamente por isso, para não verem a guerra. 
 
          Em cada uma destas áreas o povo israelita provou mudanças drásticas. Foi como se o Deus que eles conheceram passasse por uma grande mudança! Sabemos que Deus não muda, n'Ele não há mudança e nem sombra de variação; entretanto, como esta fase de amadurecimento vem revelando um aspecto do agir de Deus que até então não conhecíamos, acaba por parecer que Ele mudou. Só que a verdade é que chegou o tempo em que nós devemos mudar, e se não levarmos um "empurrãozinho" neste sentido, ficaremos eternamente acomodados.

 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Depois da Angústia, Auto-Avaliação, Brilhará os Tesouros da Alma



DEPOIS DO CANTO DO GALO 

 
          Uma vez que estamos observando as figuras do texto, entendemos que este galo em nossas vidas não é literal. Diversas situações podem enquadrar-se como o cantar do galo em nossas vidas; na verdade toda crise que nos leva a perceber que não somos tudo o que pensávamos ser pode ser vista como este alarme divino. Decepções consigo mesmo por não atingir as metas, por tropeçar em áreas que já julgávamos tratadas, por esfriar espiritualmente depois de um período de avivamento interior e assim por diante. 
 
          Estabelecido o conceito genérico do que pode ser este galo cantando em nossas vidas, quero me deter em um aspecto específico onde percebo que muita gente se prende sem entender o que está acontecendo, ou mesmo sem sequer imaginar que possa haver uma permissão divina para este tipo de crise. Penso ser este um dos cantos do galo que mais se repete nas vidas em crise no meio evangélico: a angústia. 
 
          Há tipos e tipos de angústia, refiro-me àquela para a qual, normalmente, não temos uma explicação. Em que não conseguimos encontrar razão ou motivo para que ela chegasse a alojar-se em nós. 
 
          "Ele nos perguntou: - "O que vocês acham da dor? É algo bom ou ruim?" Todos afirmaram ser ruim, e então ele declarou: - "Se não fosse a dor, você colocaria o braço no fogo e só iria perceber quando só tivesse sobrado do cotovelo para cima!" Todos riram, e foi aí que ele acrescentou: - "A dor, na verdade, é um sinal de que alguma coisa em algum lugar não está bem e precisa ser tratada".
 
          A partir daí ele discorreu sobre a febre não como algo ruim mas que, à semelhança da dor, faz parte do sistema de defesa de nosso organismo. Que também é um sinal de que alguma coisa em algum lugar não está bem e precisa ser tratada. Se não fosse a febre, nosso corpo poderia apodrecer de tanta inflamação; mas ela é um sinal de advertência e nos leva a sermos tratados. Semelhantemente, o medo também pode ser visto sob esta ótica; se não fosse o medo, as crianças sairiam colocando o dedo em tudo quanto é buraco de bicho! O medo é um mecanismo de defesa e autopreservação. Há alguns sinais de advertência que Deus colocou em nós, e a angústia é um deles. Ela é um sinal de que alguma coisa em algum lugar não está bem e precisa ser tratada. 
 
          Foi isto que Pedro sentiu aquela noite que chorou amargamente; não era apenas a decepção de descobrir que não era tudo o que pensava ser, mas um testemunho interior de algo não estava bem e precisava ser resolvido. O galo cantou na vida de Simão Pedro; mas o verdadeiro sinal de advertência não foi aquela ave, e sim a angústia que se instalou em seu interior. Existem diversos tipos de choro, mas penso que o pior de todos seja este que ele experimentou: o choro amargo. Não há alívio neste tipo de choro. Ele nos dilacera por dentro e quanto mais choramos, mais vontade temos de chorar. Mas isto tudo foi muito positivo na vida do apóstolo. Muita gente diz que Pedro foi mudado no dia de Pentecostes, mas creio que sua mudança (ou conversão, como denominou Jesus) começou mesmo foi nesta noite e com este tratamento de Deus em sua alma. 
 
COMPREENDENDO AS NOITES ESCURAS 
 
          Um dos períodos de crise mais difíceis para muitos é o que eu chamo de "noites escuras". Há momentos em que nos sentimos desprovidos de qualquer tipo de iluminação ou direção, perdidos e impotentes. Hoje temos muita vantagem em relação às pessoas que viveram nos períodos bíblicos. Com a energia elétrica e o avanço da tecnologia podemos fazer muita coisa durante à noite.
 
          Mas naquela época as pessoas ficavam muito limitadas pois não podiam fazer nada até que amanhecesse. Assim são nossas crises. Sentimo-nos atados em meio a angústia, a ponto de não podermos fazer nada até que a noite acabe e venha a luz do dia. Não bastasse este sentimento de impotência, vem também o medo. Medo do escuro é das coisas mais comuns entre as crianças. E há aqueles que, mesmo crescendo não conseguem livrar-se deste pavor. A noite escura sugere o incerto, o inesperado, o imprevisível. 
 
          Não é um momento em que explicamos os medos, mas em que temos medo do que nem sabemos! Some-se ao medo o frio e o desconforto. Pedro sentiu isto naquela noite, pois foi aquentar-se ao fogo. É exatamente nestas circunstâncias que o galo cantará em nossas vidas, pois é de noite que ele canta! Estamos vendo na noite o aspecto da escuridão, das trevas. 
 
         Consideremos alguns princípios acerca das trevas: Tem tesouros ocultos; algumas versões traduzem Isaías 45:3 como dizendo: "dar-te-ei os tesouros das trevas". Deus tem tesouros para nós reservados nesses momentos. É o próprio tratamento de nossa alma que nesta hora torna-se bastante vulnerável ao Senhor. Foi criada por Deus. Às vezes imaginamos trevas como algo estritamente maligno, mas Deus criou as trevas (Is.45:7); há um aspecto nelas que não tem nada de negativo. 
 
          Por exemplo, é um momento de descanso que o Senhor deu aos homens; quando estamos vivendo a crise das noites escuras devemos nos conscientizar que não é hora de tentar fazer nada, mas simplesmente descansar no Senhor. As trevas também podem ser vista como um lugar onde a vida está sendo gerada! Gênesis relata que na criação havia trevas sobre a face da terra, e neste ambiente a vida foi gerada; a semente sob o solo é outro exemplo, e a criança no ventre materno é ainda um exemplo da vida sendo gerada em meio às trevas. 
 
          A Bíblia ainda cita uma figura, a vara de Arão que floresceu (Nm.17:1-11). Ela era apenas um pedaço de pau seco, mas floresceu quando foi colocada na tenda da revelação conforme a instrução do Senhor! A vida se manifestou enquanto a vara foi guardada onde não havia nenhuma iluminação, no Santo dos Santos diante da arca do testemunho. 
 
          Se você está enfrentando as noites escuras, anime-se! Reconheça que o agir de Deus em nossas vidas vai muito além da limitação do nosso entendimento. Ele não age só quando achamos ou vemos que age, mas Ele opera sempre. E na maioria das vezes não conseguiremos entender como as coisas estão acontecendo até que tudo termine. Fique firme sabendo que Deus é fiel e tem cuidado de nós! Às vezes, sentimo-nos como se estivéssemos no Polo Norte, no período das noites eternas; parecem não terminar... mas vão terminar e haverá alegria ao amanhecer: 
 
"Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã."
Salmos 30:5. 
 
Esta crise terá o seu fim. E o Sol nascente brilhará sobre os tesouros que ficaram. 
 
DEPOIS DO CANTO DO GALO 
 
          Vemos claramente que um novo Pedro surgiu com o fim da noite escura. O evangelho de João nos mostra isto numa das últimas conversas que Cristo teve com ele. As palavras de Jesus sugerem muita coisa que, numa leitura rápida, acabam passando desapercebidas aos nossos olhos. 
 
"Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Ele lhe disse: Apascenta os meus cordeiros.
Tornou a perguntar-lhe pela segunda vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele lhe respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas. 
 
Pela terceira vez Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por ele lhe ter dito, pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu sabes todas as cousas, tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas. 
 
Em verdade, em verdade te digo que, quando eras mais moço, tu te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias; quando, porém, fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres.
Disse isto para significar com que gênero de morte Pedro haveria de glorificar a Deus. Depois de assim falar, acrescentou-lhe: Segue-me."
João 21:15-19. 
 
          Porque o Senhor pergunta por três vezes o mesmo assunto, quando na verdade não precisava perguntar nenhuma, visto que após a ressurreição e consequente glorificação, o atributo da onisciência do qual Cristo se despira temporariamente voltara a operar em plenitude na sua vida? Se sabendo todas as coisas ainda assim perguntou, concluímos que o fez não por necessidade da resposta, mas para conduzir o apóstolo a uma sincera auto-avaliação. Penso que o que realmente o Senhor queria era justamente isto; levar Pedro a olhar dentro de si mesmo e reconhecer onde ele estava em relação ao seu amor a Cristo. 
 
          Lembre-se que antes Simão Pedro achava que amava ao Senhor Jesus à ponto de dar sua própria vida por Ele, e de repente veio a descobrir que não era tudo o que pensava ser e nem tampouco amava tanto quanto achava. E depois de sua decepção, Pedro passa a achar que não amava tanto o Senhor; é dentro deste dilema vivido pelo apóstolo, que Cristo o leva a examinar-se a si mesmo e localizar-se espiritualmente onde ele verdadeiramente estava quanto ao seu amor. Vemos isto na maneira como as perguntas lhe foram feitas pelo Senhor e pela promessa que ele lhe fez depois delas. 
 
          Há um jogo de palavras no original grego que não percebemos na tradução do Português; trata-se da palavra "amor". O grego usa palavras diferentes para conotar expressões diferentes do amor; se a referência ao amor é física, sexual, então a palavra grega empregada é "eros"; se a conotação do amor for fraternal, então é "fileo"; e quando trata-se um amor perfeito, intenso, do tipo de Deus, a palavra usada é "ágape"
 
          No português não temos este tipo de diferença; contudo, Jesus usou diferentes tipos de palavras na conversa com Pedro. Na primeira pergunta, Ele diz: - "Tu me amas (ágape)"? E Pedro lhe responde: - "Tu sabes que te amo (Fileo)". Na segunda vez se dá o mesmo, Jesus pergunta se Pedro o ama no nível mais alto de amor – o ágape - e Pedro reconhece que ama, mas nem tanto – seu amor só é fileo. Como não consegue levar Pedro ao seu nível, Jesus desce ao dele e na terceira vez lhe pergunta: - "Tu me amas (fileo)"? E então Pedro diz: - "Senhor, tu sabes todas as coisas, tu sabes que eu te amo (Fileo)". 
 
          É como se por mais uma vez ele afirmasse: -"O meu amor não vai além disto e eu não quero me enganar de novo". A Nova Versão Internacional traduziu estas diferentes palavras como amar (ágape) e gostar (fileo). Portanto para as perguntas de Jesus a Pedro: "Você me ama?" as respostas foram: "Senhor, você sabe que eu GOSTO de você".
Mas Jesus termina dizendo que ele viria a glorificar a Deus através de sua morte; ou seja, que chegaria o dia em que ele amaria tanto ao Senhor como achou que amava no começo. E nesta promessa de que Pedro daria sua vida por Ele, Jesus declarou até mesmo que tipo de morte seria; o apóstolo estenderia suas mãos, um tipo de morte comum nos dias do Império romano: a crucificação. E a tradição diz que quando o imperador Nero mandou crucificá-lo (entre 64 a 67 d.c.), Pedro teria dito: - "Não sou digno de morrer como o meu Senhor". E então teria pedido que o crucificassem de cabeça para baixo, o quê, se de fato ocorreu, foi uma demonstração ainda maior de amor a Jesus Cristo. 
 
          Somente quando descobrimos que não somos tudo quanto pensamos e enxergamos nossas fraquezas e vulnerabilidades (na maioria das vezes em meio às crises) é que Deus vai trabalhar profundamente em nós. Este é um tipo de ação de Deus que não vemos com os nossos olhos, é invisível a nós. Quando estamos no meio destas crises, normalmente não entendemos o que está acontecendo e nem tampouco achamos que Deus possa estar agindo, mas Ele sempre estará operando em nós, mesmo quando não vemos! 
 
         Não restrinja o agir de Deus só ao que você vê e compreende, mas permita-lhe o Senhor em sua vida. Ame-o! Confie n'Ele em toda e qualquer circunstância, e saiba que a seu tempo tudo será esclarecido. E você terá sido aperfeiçoado e conduzido a um nível de maior maturidade.
 

O Galo Cantou e Pedro Caiu em Si!





CAINDO EM SI 

 







 
          O fato de Pedro ter caído em si quando o galo cantou, mostra que até então estava um pouco fora de si. Nosso coração muitas vezes nos engana, levando-nos a achar que somos mais do que o que realmente somos.
 
          Pedro havia fantasiado seu amor e fidelidade ao Senhor; construíra também um sentimento de grandeza em si, e de repente tudo foi para o chão. Ele descobriu que não era tão forte assim; descobriu também que há uma grande distância entre o que achamos ser e o que de fato somos. 
 
          É por isso que o Novo Testamento enfatiza muito o cuidado para que não nos enganemos a nós mesmos. Na carta aos romanos, Paulo declarou: "...digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém, antes, pense com moderação..." (Rm.12:3). Cada um de nós passará por momentos de crise semelhante à do apóstolo; elas não são tão negativas quanto parecem; na verdade são tremendamente positivas, pois trabalham o nosso caráter. 
 
          Curioso, porém, foi Jesus relacionar este momento de límpida autoconsciência de Pedro com o cantar do galo. E sei de uma coisa: não é coincidência estas duas coisas estarem relacionadas; tudo o que foi escrito, foi escrito para nosso ensino. O canto deste galo tem uma figura, fala de um sinal, um alarme, um testemunho que nos fará cair em si e ver quem de fato somos. Note que é quando o galo canta que Pedro lembra-se do que Jesus lhe dissera; logo, o canto do galo é um sinal que Deus usa para nos despertar e mostrar quem realmente somos. É o despertador de Deus! 
 
PORQUE Jesus NÃO IMPEDIU? 
 
          O Senhor Jesus Cristo, sabendo de antemão o que o apóstolo iria passar, avisou-o antes que acontecesse. Mas porque Jesus não fez nada para o livrar? Porque não impediu? Por que era necessário que Pedro passasse por isto; era parte do tratamento de Deus na vida e ministério dele.
 
E mais: não era um acontecimento meramente humano, mas espiritual; Lucas, o médico amado, registra este detalhe:
"Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo!
Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos.
Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte.
Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te, Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante."
Lucas 22:31-34. 
 
          Observe que até Satanás estava envolvido nisto! O diabo também ouvia as afirmações de grandeza e espiritualidade que os discípulos ostentavam e por isso pediu a Deus para peneirar a vida deles do mesmo modo como se peneirava o trigo. E o interessante é que ele recebeu a permissão divina para isto. Jesus estava apenas alertando Pedro que iria acontecer para que, quando acontecesse, ele soubesse da soberania de Deus sobre todas as coisas. 
 
          Mas em momento algum Cristo disse que impediria o diabo. Ao contrário, Ele estava fortalecendo Pedro e dizendo que aquilo realmente iria acontecer. Jesus não só não impediu, como também não mandou que Pedro resistisse ao diabo. Nada foi dito sobre orar contra aquilo, fazer guerra espiritual ou mesmo usar a autoridade espiritual. Porque esta era uma ação maligna sob permissão divina. Era mais uma daquelas muitas vezes que Deus coloca Satanás para trabalhar para si! 
 
          Toda esta cena de perseguição a Jesus que ocorreu no jardim em que foi preso, e tudo aquilo que se seguiu, estava debaixo de uma ação maligna. A pressão das pessoas sobre Pedro indagando se ele não estava junto com Cristo, o próprio medo que ele sentiu e que deve ter sido incrementado por pensamentos sombrios, todos aqueles acontecimentos estavam sendo empurrados pelo adversário. 
 
          Jesus mesmo declarou no jardim: "Esta é a hora e o poder das trevas" (Lc.22:53). Contudo nada saiu (e nada sai) debaixo da soberania de Deus, que sempre age por sua multiforme sabedoria. 
 
          Embora Jesus não tenha impedido este acontecimento, não quer dizer que não houve intervenção sua. Ele mesmo declarou a Simão Pedro que havia orado e intercedido em favor dele; e deu a entender com isto que ele não apenas venceria a batalha, mas que ao final também seria tratado e trabalhado por Deus: "quando te converteres, fortalece a teus irmãos"... e foi exatamente isto que aconteceu. 
 
          Há momentos em que não vemos o Senhor ao nosso lado; e essa sensação de estar sozinho parece ocorrer justamente sob os mais intensos e violentos ataques das trevas, mas podemos ter a certeza de que jamais estaremos abandonados, pois Cristo intercede por nós! Quando Estevão estava sendo apedrejado, viu Jesus em pé a direita de Deus; o Senhor intercedia por ele e quis que Estevão soubesse para que tal certeza o fortalecesse. Foi também por isso que Cristo avisou Simão que já havia orado antes, pois esta certeza nos fortalece em momentos de dificuldade. O Senhor nunca deixa de interceder por nós; nunca mesmo! Tenha certeza disto! 
 
          Jesus avisou Simão Pedro que ele iria passar por aquilo, e não impediu o diabo, pois era necessário que ele passasse pelo que passou! Pedro tinha que passar pela peneira. O diabo queria com isto derrubá-lo. Deus, sabendo de antemão que este fim não seria alcançado, permitiu que a peneira maligna viesse sobre seu servo. Mas quando veio a peneira, o diabo acabou trabalhando para Deus e permitiu que Pedro experimentasse um profundo quebrantamento e se despojasse da altivez e grandeza que arruinariam seu ministério... Aleluia! Nosso Deus é tremendo em sua forma de tratar conosco. 
 
          As provações são mal compreendidas no meio eclesiástico. Alguém disse que o Senhor nos prova para sabermos quem somos, mas esta não é a verdade, pois Ele é onisciente, sabe todas as coisas mesmo antes que aconteçam. Então, por que Ele nos prova? Ele o faz para que NÓS saibamos quem realmente somos. Pedro foi provado para que soubesse que não era tudo o que pensava ser; e nós também seremos provados neste sentido. É o momento em que o galo canta nas nossas vidas e faz com que caiamos em nós mesmos. 
 
          É o momento em que nossa soberba e espiritualidade fingida caem por terra. É justamente nesta crise que o quebrantamento de Deus vem e opera em nós.

E o Galo Cantou! Sinal da Traição!


 
O CANTO DO GALO 

 
          O agir de Deus é invisível aos nossos olhos. Está além da compreensão de nossa mente. A multiforme sabedoria divina sempre trará surpresas, não somente a nós como também ao adversário de nossas almas. 
 
          É lógico que dentro daquilo que a Palavra de Deus afirma claramente sobre Deus mesmo, ou acerca do Reino e seus princípios, não devemos esperar mudanças ou surpresas; por exemplo, se lemos na Bíblia que a salvação é pela graça mediante a fé, não há perigo de que o Senhor mude de idéia e anule o que está escrito.
 
          Quando falamos de um agir imprevisível, referimo-nos àquelas coisas das quais as Escrituras não falam claramente sobre como Deus agirá. Há assuntos dos quais sabemos que Deus tem um compromisso de agir por ter prometido isto; a questão não é se Ele agirá ou não, pois sabemos que certamente agirá, a questão é COMO fará, e não há como prevermos isto. 
 
          Entretanto, dentro desta visão de um agir invisível aos olhos humanos, a Bíblia revela princípios que podemos saber que se manifestarão em nossas vidas. Quando nos rebelamos, Deus trata conosco. Quando nos ensoberbecemos, Ele trata conosco também. Em várias circunstâncias a ação divina poderá se mostrar um tanto quanto misteriosa. 
 
          Gerações anteriores à nossa costumavam atribuir a Deus todas as coisas. Recentemente, Deus levantou muitos mestres e profetas que contribuíram com o Corpo de Cristo trazendo luz quanto a muitos princípios mal compreendidos, e pudemos ver que muitas vezes o diabo estava agindo em vidas não por uma permissão divina, mas por autorização da própria pessoa que quebrara princípios espirituais, dando assim lugar ao maligno. 
 
          E em meio a tantos princípios que vieram à luz, começamos a ir para o outro extremo; e uma figura distorcida de Deus começou a ser proclamada, como se seu amor fosse colocado em questão quando permitisse que passássemos por provas e tribulações. Antes, tudo parecia vir de Deus; agora, tudo parece vir do diabo! Mas a grande verdade é que nossos valores são tremendamente materialistas e corrompidos e nunca conseguimos ver os valores interiores de caráter que precisam ser formados em nós; e se esta formação de caráter nos custar perdas materiais, tenha certeza de que Deus não só a aprovará, como verá LUCRO nisto! 
 
          Neste capítulo quero partilhar um princípio que tenho aprendido com um dos meus pastores. Há momentos em que o Senhor quer que saibamos que nós não somos tudo o que pensamos ser. Nossa auto-suficiência e soberba impedem a ação de Deus em nós e através de nós. E quando viermos a nos encontrar em situação de perigo devido a estes sentimentos enganosos e ocultos em nossa alma, podemos ter certeza de algo: o Senhor tratará conosco! 
 
          O título deste capítulo é uma referência a como Deus tratou com Pedro na ocasião em que ele negava a Cristo e o galo cantou.
 
Convido-o a examinarmos a vida deste apóstolo e aprendermos com ele acerca disto.
OS DISCÍPULOS ERAM HOMENS FALHOS
Tiago, irmão do Senhor, escreveu acerca do profeta Elias, um dos maiores vultos do Velho Testamento: "Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos..." (Tg.5:17).
 
          Uma outra versão diz que "era sujeito às mesmas paixões". A tradução de J. B. Phillips diz que "ele era alguém tão humano quanto nós"! Isto deixa bem claro como foi cada um dos homens a quem Deus muito usou em toda a história: frágeis, falhos, tentados, limitados em si mesmos. Não eram os super-heróis ou semi-deuses que pintamos em nossa imaginação. Cada um deles foi usado por Deus por dispor-se, anular-se, e deixar ser tratado. 
 
          Entre os doze apóstolos havia muita coisa humana, falhas na alma e no caráter que precisavam ser corrigidas. O sentimento de terem sido os escolhidos do Messias certamente afetou a cada um deles. A honra de ter a constante companhia e intimidade de Jesus, de verem seus milagres e prodígios, e também de serem usados por Deus para operação de maravilhas é uma descarga poderosa em cima do ego de qualquer um. E, inicialmente, eles ainda não sabiam como lidar com isto; a sensação de grandeza e superioridade penetrou o interior deles, e pode ser claramente vista em alguns episódios narrados nos evangelhos. 
 
          Em determinada ocasião, dois deles, sem ainda entender a natureza do Reino que Jesus estava proclamando, quiseram tornar-se os dois homens mais influentes depois de Jesus em seu reinado:
"Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir.
E ele lhes perguntou: Que quereis que vos faça?
Responderam-lhe: Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda.
Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo ou receber o batismo com que eu sou batizado?
Disseram-lhe: Podemos. Tornou-lhes Jesus: Bebereis o cálice que eu bebo e recebereis o batismo com que eu sou batizado; quanto, porém, ao assentar-se à minha direita ou à minha esquerda, não me compete concedê-lo; porque é para aqueles a quem está preparado.
Ouvindo isto, indignaram-se os dez contra Tiago e João."
Marcos 10:35-41. 
 
          Observe que os outros dez se indignaram contra Tiago e João, mas não por aceitarem o que Jesus lhes falara, e sim porque cada um deles também estava tomado do mesmo sentimento egocêntrico e soberbo. O restante da narrativa de Marcos mostra que Cristo teve que chamá-los para junto de si e estabelecer a ótica correta quanto ao ministério, que é baseada no serviço e não na posição:
"Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade.
Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos.
Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos."
Marcos 10:42-45. 
 
          Em meio a este desejo de ser, a esta ânsia de posição, poder e prosperidade, Tiago e João, filhos de Zebedeu foram confrontados por Jesus com a afirmação de que posição como a que eles haviam pedido Ele não podia lhes prometer, mas beber do seu cálice (e isto fala de sofrimento) era algo que eles podiam ter certeza que experimentariam. 
 
          Em nossos dias, estimulamos muito a busca de poder e prosperidade como se isto fosse a coisa mais importante que um cristão pudesse vir a experimentar, mas Deus está levantando seus profetas para declarar que Ele espera que bebamos o cálice das provações e saiamos não só como vencedores ao fim delas, mas tratados por Ele! Assim como o ouro provado no fogo se torna mais limpo, também sob o tratamento de Deus em meio à adversidade e crises (externas e internas) seremos também aperfeiçoados. E isto faz parte do agir divino. 
 
          Até esta hora, contudo, os discípulos que Jesus escolhera ainda não haviam sido trabalhados interiormente neste sentido. E o curioso é que o próprio evangelista Marcos relata no capítulo anterior que tal problema já havia se manifestado no meio dos doze e que Jesus por sua vez também já interviera ensinando-lhes os conceitos corretos; mas eles só tinham ouvido o Senhor, ainda não tinham aprendido.
 
Observe:
"Tendo eles partido para Cafarnaum, estando ele em casa, interrogou os discípulos: De que é que discorríeis pelo caminho?
Mas eles guardaram silêncio; porque, pelo caminho, haviam discutido entre si sobre quem era o maior.
E ele, assentando-se, chamou os doze e lhes disse: Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos."
Marcos 9:33-35. 
 
          Lucas também nos mostra este tipo de sentimento entre os apóstolos: "Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior." (Lc.22:24). O que precisamos notar é que este sentimento de grandeza entre eles era algo que cada um já carregava dentro de si quando Jesus os chamou, mas que certamente só se manifestou depois disto. Tente imaginar-se no lugar de Pedro na pesca milagrosa, e imagine que história de pescador isto não daria! 
 
          Coloque-se no lugar dele e tente imaginar-se andando sobre as águas, coisa da qual não se ouvira dizer que um vivente experimentara. E o que não dizer da multiplicação de pães, das curas, libertações, e tantos outros milagres! Mas não era só isto; eles eram os escolhidos do Messias e estavam sendo preparados para uma tarefa ainda maior... O coração de cada um deles começou a se ensoberbecer, e começaram a pensar de si mesmo mais do que realmente eram. 
 
          Eles haviam se tornado tão importantes, que nenhum outro poderia fazer o que Jesus lhes mandou fazer. Externaram este sentimento que neles estava na primeira ocasião que surgiu:
"Disse-lhe João: Mestre, vimos um homem que, em teu nome, expelia demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não seguia conosco.
Mas Jesus respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim.
Pois quem não é contra nós é por nós."
Marcos 9:38-40. 
 
          Só eles podiam fazer aquilo; outra pessoa não! Ninguém poderia brilhar como eles brilhavam ao lado de Jesus. Este sentimento que tinham é externado diversas vezes. Quando uma aldeia de samaritanos não quis receber Jesus, dois deles quiseram orar para que descesse fogo do céu e os consumisse. Propuseram isto a Jesus imitando o estilo de Elias. 
 
          Ao falarem assim, não estavam apenas demonstrando ser guardiões da "reputação" de Jesus, mas já se achavam tão "homens de Deus" quanto Elias. Precisamos ter muito cuidado quando crescemos em Deus, para que o diabo não encha os nossos corações de orgulho. Contei como o anjo de Deus se referiu ao meu ministério na época em que me acidentei. O Senhor permitiu e usou aquilo para que eu não crescesse ao ponto de ensoberbecer e cair. Nunca achamos que isso possa acontecer conosco; é sempre com os outros, nunca conosco! Mas as Escrituras advertem que quem está em pé deve cuidar para que não venha a cair (I Co.10:12).
 
          Este sentimento foi se avolumando nos apóstolos até este nível de cegueira, em que a pessoa acha que a queda pode acontecer com os que estão à sua volta, mas não consigo mesma. Vejamos isto de forma específica na vida do apóstolo Pedro:
"Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas. Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia.
Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!
Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes.
Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.
Marcos 14:27-31. 
 
"Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!" Você percebe esta mentalidade em Pedro? Ele se achava tremendamente fiel ao Senhor, mas estava prestes a descobrir que não era tudo o que pensava ser. E embora nosso enfoque esteja em Pedro, que se achou melhor que os outros, note que cada um deles disse que se preciso fosse morreria com Jesus. Eles realmente acreditavam em sua espiritualidade e fidelidade! Mas na hora em que Cristo foi preso, todos fugiram (Mc.14:50). 
 
Nenhum deles ficou por perto. "Pedro seguira-o de longe até ao interior do pátio do sumo sacerdote e estava assentado entre os serventuários, aquentando-se ao fogo." (Mc.14:54). Mesmo não abandonando completamente a Jesus, Pedro permaneceu à distância, de onde pudesse satisfazer sua curiosidade do que viria a ocorrer, mas ao mesmo tempo salvar sua pele. E foi este distanciamento que o levou ao passo seguinte, já antes profetizado pelo Mestre: negar três vezes a Jesus. 
 
"Estando Pedro embaixo no pátio, veio uma das criadas do sumo sacerdote e, vendo a Pedro, que se aquentava, fixou-o e disse: Tu também estavas com Jesus, o Nazareno.
Mas ele o negou, dizendo: Não o conheço, nem compreendo o que dizes. E saiu para o alpendre. [E o galo cantou.] E a criada, vendo-o, tornou a dizer aos circunstantes: Este é um deles. 
 
Mas ele outra vez o negou. E, pouco depois, os que ali estavam disseram a Pedro: Verdadeiramente, és um deles, porque também tu és galileu.
Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais!
E logo cantou o galo pela segunda vez. Então, Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe dissera: Antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. E, caindo em si, desatou a chorar."
Marcos 14:67-72. 
 
Mateus em seu relato declara que Pedro chorou amargamente. Marcos enfatiza que ele irrompeu em prantos assim que "caiu em si".

Devemos passar pelas provas e dificuldades da vida "Anestesiados" por Deus!

 

OLHANDO PARA O ALTO 

 
          Fomos chamados para viver acima das circunstâncias e ter os nossos olhos no Senhor. As Escrituras Sagradas nos dizem que Satanás veio para roubar, matar e destruir (Jo.10:10). Cristo, por sua vez, veio para nos dar vida e vida com abundância. Sempre ouvimos que o diabo vive tentando roubar a saúde, o dinheiro e a família de cada vivente, pois ele não quer que ninguém seja feliz sob as bênçãos de Deus.
 
          Mas o fato é que o diabo não está tão preocupado com estas coisas, elas não são seu verdadeiro alvo. O que ele verdadeiramente quer é roubar nossa fé e relacionamento com Deus. Este é seu fim, seu grande objetivo; mas roubar a saúde, o dinheiro e a família, são MEIOS QUE ELE USA para tentar conseguir chegar onde realmente quer. 
 
          Portanto, precisamos aprender a viver olhando para o alto, com nossos olhos fixos no Senhor em todo tempo, independentemente das circunstâncias à nossa volta. E o processo de ser mais que vencedor tem a ver com isto. No fim da prova Deus não somente nos dá a vitória, como também nos ensina a apegarmo-nos mais a Ele, vivendo acima das situações externas.
 
          A geração atual de crentes vive olhando somente para as coisas terrenas, não tem seus olhos em Deus. Nossa pregação praticamente só enfatiza o que é terreno, quase não se leva as pessoas a olharem o celestial; mas segundo a exortação bíblica, devemos levantar nossos olhos:
"Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus.
Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus."
Colossenses 3:1-3. 
 
          Note o mandamento da Palavra que vem como um imperativo: Buscai e pensai nas coisas do alto, não nas que são da terra. Em toda a Bíblia encontraremos advertências quanto à termos nossos olhos no alto em vez de na terra. No tabernáculo de Moisés, que Deus o mandou construir segundo o exato modelo das visões que ele teve no monte, é impressionante a ênfase figurada que o Senhor deu deste assunto.
 
          Quando mandou Moisés fazer as quatro coberturas que se sobrepunham como teto da tenda da revelação, o Pai Celestial mandou que elas fossem todas bordadas, embelezadas; eram um verdadeiro espetáculo artesanal que ninguém hoje poderia reproduzir, pois a arte não era meramente humana, Deus havia enchido os artesãos com seu Espírito para que pudessem executar o modelo divino ordenado. Portanto, quando alguém entrava na tenda da revelação, se queria ver algo belo tinha que olhar para cima, para o alto. 
 
          Mas se conservasse seus olhos no chão não veria beleza alguma, pois Deus nunca mandou que fizessem nenhum tipo de piso, aonde acampavam utilizavam-se da própria terra do local. Enquanto o teto era indescritivelmente belo, o chão era feio, de terra. Assim também é na vida cristã, a beleza do andar com Deus está quando aprendemos a olhar para o alto, para Deus mesmo e as coisas celestiais; não há beleza numa vida de preocupação somente com o terreno. 
 
          Não há nada espiritualmente belo num evangelho que só prega sobre o dinheiro e os caprichos deste mundo como se isso fosse a prosperidade bíblica! Não se engane, nossos olhos devem se levantar bem acima do que é terreno, sejam os atrativos deste mundo ou as circunstâncias negativas que nos cercam; devemos olhar para o alto em todo tempo. 
 
          Crentes que só se preocupam com o dinheiro e seus negócios, não servirão ao propósito divino da colheita de almas, pois para se ter a sensibilidade espiritual de ver a necessidade dos perdidos é preciso tirar os olhos das coisas terrenas e levantá-los para os céus. Jesus mesmo disse: "erguei os olhos e vede os campos, pois já branquejam para a ceifa" (Jo.4:35). Por que o Mestre disse isto aos discípulos? 
 
          Porque enquanto eles só haviam pensado em buscar comida e saciar sua fome naquela aldeia de samaritanos, Jesus se preocupara em ganhar aquela mulher que estava junto ao poço de Jacó, e ela por sua vez, trouxe praticamente toda a aldeia para ouvi-lo. Então ele lhes diz que se nossos olhos estiverem no chão, cuidando apenas das coisas terrenas, não enxergaremos os campos brancos para a ceifa; ou seja, não teremos a sensibilidade de ver a necessidade espiritual das pessoas. 
 
          Temos que olhar para o alto se queremos ser úteis ao Senhor, pois aqueles que só olham para o chão desanimam-se nas horas difíceis e deixam de servi-Lo. Já quanto aos que têm seus olhos no Senhor, não há o que os faça parar. Prender nossos olhos no chão é o grande plano satânico contra nossas vidas; ao atacar nossa saúde, família e bens, o que o maligno quer de fato é tirar nossos olhos do Senhor, fazendo com que fitemos somente o chão, o terreno.
 
          Embora, tirar os olhos da terra não significa tirar os pés do chão (a perda do pragmatismo e da disciplina).
 
Há um texto bíblico que revela esta astúcia do inimigo em seus ataques; examinêmo-lo com suas figuras espirituais: 
"E veio ali uma mulher possessa de um espírito de enfermidade, havia já dezoito anos; andava ela encurvada, sem de modo algum poder endireitar-se.
Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus."
Lucas 13:11-13. 
 
          Esta mulher andava encurvada por quase duas décadas, e não havia meios de se endireitar pois sua doença era espiritual e não física. Tratava-se de um espírito maligno de enfermidade, um agente de Satanás prendendo seu corpo. Sabe, há uma figura aqui; esta mulher vivia olhando somente para o chão; sua costa encurvada a impedia de andar olhando para cima. Podemos ver em operação na vida desta mulher o verdadeiro plano maligno contra cada cristão;
 
Cristo disse que ela estava numa prisão de Satanás:
"Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos?"
Lucas 13:16. 
 
          Estar numa prisão de Satanás não quer dizer que o próprio príncipe das trevas a prendia pessoalmente, pois já vimos que era um enviado dele, um espírito de enfermidade, quem realizava o trabalho. Mas Jesus mostrou que tal espírito maligno só estava cumprindo ordens de seu chefe, o que nos permite ver que o plano era de Satanás e a execução era do subalterno dele. Por que é importante notar isto? Para entendermos que o inimigo não nos ataca só por atacar, ele tem planos e estratégias para tentar nos derrubar e devemos nos prevenir contra ele! 
 
          Que tipo de prisão era esta que Jesus mencionou? Não era a doença e nem o espírito de enfermidade em si, mas a que ponto ele levava esta mulher. Ela não podia olhar para o alto! É isto que o diabo quer, que tiremos os nossos olhos de Deus; esta era uma crente da época, pois foi chamada de "filha de Abraão", referência dada não só por ser naturalmente descendente do patriarca, mas por esperar na promessa divina feita a ele. Também vemos que ela estava na sinagoga, o que poderíamos chamar de a igreja da época. Não se tratava de uma pecadora qualquer que nada queria saber acerca de Deus, mas de alguém que o temia, cria n'Ele e queria andar em sua presença. 
 
          Semelhantemente, Satanás tenta nos prender com os olhos no chão, para que não olhemos para cima. E por que ele nos ataca desta forma? Porque ele não pode nos arrancar das mãos de Deus, como Jesus mesmo falou:
"As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.
Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.
Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.
Eu e o Pai somos um."
João 10:27-30. 
 
          O diabo jamais poderá nos tirar das mãos de Jesus! Nunca! Temos um claro pronunciamento de Jesus Cristo neste sentido. Mas ele vai atacar com sutileza; ele quer nos indispor com o Senhor, fazendo com que nos voltemos contra Ele, porque então nós mesmos desceremos dos braços do Senhor e estaremos expostos. No livro do Apocalipse, o Senhor faz menção da doutrina de Balaão, que costumava ensinar Balaque a por tropeços diante dos filhos de Israel para que pecassem (Ap.2:14). 
 
          Lemos em Números que Balaque contratou Balaão para amaldiçoar a Israel pois tinha medo de ser por ele destruído na batalha. Deus advertiu a Balaão que não fosse após Balaque, mas ele amou o prêmio da injustiça e desobedeceu. Mas não conseguiu amaldiçoar ao povo do Senhor, pois em cada uma das quatro vezes em que tentou fazê-lo, Deus mudou suas palavras em bênçãos sobre os israelitas. Vendo que nada podia contra o povo, Balaão aconselhou Balaque, rei dos moabitas, a enviar as mulheres do seu povo ao arraial dos israelitas para que se prostituíssem com eles e então os levasse a adorar os deuses delas.
 
          Qual foi o pensamento de Balaão? Ele viu que não havia como tocar o povo pois eles estavam debaixo da proteção divina e com Deus ninguém pode; então a única saída seria colocar o povo contra Deus, visto que Deus não abandonaria o povo. E quando através do pecado da prostituição e também da idolatria o povo se afastou do Senhor, então ficou vulnerável, e a ira do Senhor se acendeu contra o povo.
 
          O que Balaão não podia fazer contra o povo, fez com que o próprio povo fizesse contra si mesmo! É assim que o diabo age. Uma vez que ele não pode tirar-nos da mão do Senhor, nem fazer nada contra nossas vidas por permanecemos em Cristo, então tenta nos colocar contra o Senhor, para que saiamos do colo d'Ele e fiquemos vulneráveis. 
 
          Esta é a razão porque o maligno tanto tenta prender nossos olhos nas coisas materiais, para que quando conseguir tocar nelas isto venha a doer em nós a tal ponto de nos indispormos contra Cristo. Mas na vida daquele que ama o Senhor e tem os olhos n'Ele, o inimigo não consegue isto. 
 
          Isso nos permite ver porque Satanás investe tanto contra o que possuímos, não porque seja isto o que ele queira, mas por ser o meio para que ele tente chegar onde realmente quer chegar: minar nossa fé e relacionamento com o Senhor. Mas diante disto podemos também enxergar porque Deus permite o inimigo investir contra estas áreas de nossas vidas; cada ataque maligno pode ser visto como um tempo de treinamento e adestramento para os soldados do exército divino. 
 
          No paralelo natural, nunca vemos num quartel os soldados prepararem-se para a guerra passando um ano inteiro deitados em redes com sombra e água fresca. Não! Pois isto não prepara ninguém! Também o Senhor não treina seu exército no bem-bom da vida, mas em meio às provas e tribulações. 
 
          E muitas vezes Deus permitirá o ataque do maligno contra seus bens materiais para que ao fim você não apenas vença, mas seja mais que vencedor, seja alguém tratado pelo Senhor; pois enquanto Satanás nos tira algo tentando fazer com que nosso coração egoísta se volte contra Deus, o Senhor por sua vez, permite que aquilo seja temporariamente tirado até que nosso coração aprenda a não se apegar àquilo mais do que a Deus. 
  
         Quando um homem ou uma mulher de Deus colocam seus olhos no Senhor e assim permanecem, serão vitoriosos. Tenho aprendido que os ataques mais atrozes do inimigo, como aqueles em que pessoas chegaram ao ponto de morrer por Cristo, não visavam tocar nas circunstâncias e nem mesmo na vida destas pessoas; o diabo não queria que morressem, mas que, por medo da morte negassem Jesus. 
 
          Cada vez que um mártir derramou seu sangue pelo evangelho, Satanás não ganhou, só perdeu. Pois o heroísmo dos mártires somente fortaleceu o evangelho, nunca o enfraqueceu. Nosso conceito de vitória ainda é muito carnal, terreno; mas os mártires foram além disto e venceram ao diabo (Ap.12:11), pois sabiam manter seus olhos no Senhor.
 
Veja um exemplo disto:
"Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus.
Eles, porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele.
E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado Saulo.
E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!
Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu."
Atos 7:55-60. 
 
          O relato bíblico diz que Estevão, cheio do Espírito, FITOU OS OLHOS NO CÉU. Algo que o Espírito Santo vai operar em nós à medida em que nos rendemos a Ele, é tirar nossos olhos do chão para o céu; das coisas terrenas para as celestiais. Estevão foi o primeiro mártir e nos deixou um modelo perfeito de vitória sobre o inimigo: seus olhos estavam em Deus, não no que é terreno. E neste texto tenho descoberto um princípio espiritual figurado muito forte: Quando nossos olhos estão no Senhor, somos anestesiados para os ataques malignos contra nossa vida! 
 
          Estevão foi milagrosa e sobrenaturalmente anestesiado por Deus contra as pedradas que o mataram; o texto diz que enquanto o apedrejavam ele invocava ao Senhor e orava, e mais: diz que ele se colocou de joelhos, e à semelhança de Cristo na cruz, pediu que o pecado de seus assassinos fosse perdoado. Ninguém que está sendo apedrejado faz isto; nossa imediata reação é cobrir o rosto e se proteger como puder; mas os olhos de Estevão não estavam em si mesmo, estavam nos céus, e em razão disto podemos dizer que ele foi fortalecido por Deus, ou até mesmo que foi "anestesiado". 
 
          Seria impossível em condições normais ele se ajoelhar e ficar olhando para o alto sem se defender, mas algo aconteceu com ele. E quando colocamos os nossos olhos no Senhor independentemente de que tipo de situação estamos enfrentando, algo também vai acontecer conosco; seremos confortados e anestesiados pelo Senhor, e Satanás não será vitorioso. Pelo contrário, nós é que seremos mais que vencedores! 
 
          No caso de Estevão, o que veio além da vitória não foi o tratamento, pois ele passou à glória celestial, mas além de vencedor ele recebeu um galardão mais glorioso. É isto que acontece com os mártires; Hebreus 11:35 diz que alguns não aceitaram seu livramento porque visavam uma maior recompensa.
 
          Quando passamos pelas provas e tribulações, Deus não somente nos prepara a vitória que inevitavelmente virá, mas usa o tempo em que nela estamos para tratar com nossa alma. O Senhor lida com todo apego excessivo que temos nas coisas terrenas e nos ensina a ter os olhos n'Ele; isto é ser mais que vencedor, é ser tratado por Deus e chegar ao fim da adversidade melhor do que entramos. 
 
ESPERANDO NO SENHOR 
 
          Se a vitória só vem no fim da prova, o que acontece até lá? Podemos dizer que o tratamento acontece dentro da prova, no tempo em que a pessoa está esperando o livramento de Deus. O que faz alguém mais que vencedor não é uma vitória imediata, no primeiro "round" da luta, por assim dizer; é justamente a espera que produz em nós este tratamento. 
 
          Vivemos na época dos instantâneos. Comida pronta congelada que em poucos minutos se prepara num microondas. Rápida locomoção e transporte, como o avião. Fac-símile, e outras coisas mais. Nossa geração não sabe ser paciente. Foi-se aquela época em que se fazia a massa do macarrão em casa antes de prepará-lo no almoço! E por causa disto não sabemos esperar; vivemos ansiosos, afobados e fazendo de tudo para ganhar tempo. 
 
          Só que quando as provas e tribulações chegam, achamos que as orações tem que ser todas instantaneamente respondidas e que tudo deve se resolver com urgência; mas como na maioria das vezes não acontece assim, acabamos nos desesperando. Precisamos aprender a esperar, pois a espera produzirá preciosos frutos em nós se o permitirmos. 
 
          Entre toda promessa de Deus e seu cumprimento há um intervalo chamado tempo. O tempo é o período de espera até que tudo se cumpra. O mesmo se dá na adversidade; entre o começo dela e seu fim (nossa vitória) há um intervalo chamado tempo, em que devemos esperar. A espera vai produzir mais resultados dentro de nós do que aquilo que veremos fora de nós neste tempo. Muita gente acha que a espera é uma desculpa dos que não crêem na intervenção imediata de Deus, mas na verdade ela é uma marca na vida daqueles que crêem!
 
 Fé e paciência caminham juntas e não há meios de separá-las; vemos isto no ensino do Novo Testamento:
"Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança; para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas."
Hebreus 6:11,12. 
 
           Falando de perseverança, e de não se desesperançar em meio às lutas, o escritor desta epístola fala sob a divina inspiração que é preciso que sejamos diligentes e imitemos aqueles que pela fé e paciência herdam as promessas. Ou seja, não se herdam as promessas divinas apenas por fé, mas pela fé e paciência juntas! Isto não dá sustento à visão de uma fé automática, tipo varinha de condão das fadas madrinhas, mas leva-nos a ver que a espera faz parte do processo de intervenção divina em nossas vidas. 
 
          Abraão foi chamado pai da fé e deixou-nos um exemplo a ser seguido; vemos isto na carta de Paulo aos romanos, no capítulo quatro, quando após chamá-lo de pai da fé, o autor diz que devemos seguir as pisadas da fé de Abraão; e em Hebreus ele é novamente apresentado como exemplo: "E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa." (Hb.6:15). Quando Deus fez a Abraão a promessa de dar-lhe um filho, ele tinha 75 anos (Gn.12:4), mas quando a promessa se cumpriu ele já estava com 99 anos (GN.17:1), o que totaliza um período de espera de 24 anos! 
 
          O rei Davi também esperou muitos anos desde o dia em que Samuel o ungiu até aquele dia em que assentou-se sobre o trono de todo Israel. A espera não é sinal de derrota ou de falta de fé, mas parte da operação da própria fé. É o período quando Deus estará trabalhando mais dentro de nós do que fora. A espera nos amadurece para que possamos receber o que o Senhor tem para nós; não passar o período de espera significa não estar pronto para a herança.
O filho pródigo que o diga! Não quis esperar a hora certa de receber a herança, e ao antecipar-se ao momento devido, demonstrou não estar ainda preparado para o que tinha direito de receber. E justamente por não estar preparado acabou perdendo tudo: o dinheiro, o tempo fora de casa, sua moral e dignidade. 
 
          Verdadeiramente temos uma herança em Deus. Temos direito a tudo aquilo que o Pai Celestial nos tem prometido. Mas não encontramos em lugar algum da Bíblia qualquer alusão à posse instantânea delas. Quando esperamos em oração e fé algo da parte do Senhor, estamos amadurecendo para que possamos estar à altura daquilo que viermos a receber. 
 
          Não aprecio muito as campanhas promovidas por muitas igrejas que pregam a intervenção de Deus ao fim daquelas semanas; há momentos em que Deus tocará a pessoa na primeira oração que receber, e se isto não acontecer então precisamos ensinar esta pessoa a esperar no Senhor até que receba o que necessita. Não interessa se vai demorar um mês ou cinco anos! Temos que ensinar o processo da espera e perseverança. Para a maioria destas igrejas, o máximo que se espera são as semanas da campanha, depois, se nada aconteceu acaba ficando por isso mesmo... 
 
           A grande verdade é que tais campanhas exploram a credibilidade das pessoas e as amarram nas reuniões por mais tempo, forçando-as a permanecerem na igreja. Não podemos deixar de desafiar as pessoas a crerem que o milagre e a intervenção do Senhor pode acontecer de imediato; contudo não podemos dar nenhuma garantia de que sempre será assim. Haverá momentos de espera e neles Deus não agirá apenas nas circunstâncias externas, mas principalmente nos valores internos. 
 
          Tenho aprendido muito com Moisés neste assunto. Ele viveu cento e vinte anos, que se dividem em três períodos de quarenta anos. No primeiro período, o líder hebreu levou quarenta anos para achar que podia fazer a obra de Deus; seu engano foi apoiar-se em toda cultura, conhecimento, e educação que recebera no palácio de Faraó. Ao fim deste tempo tentou fazer a obra de Deus em sua própria força e capacidade e fracassou, o que o levou a fugir do Egito. Então iniciou-se o segundo período, e, ao fim destes quarenta anos, ele chegou à conclusão de que não podia fazer a obra do Senhor; mesmo quando o Anjo do Senhor apareceu na sarça e o comissionou, ele ficou se desculpando, alegando não ser a pessoa ideal para o papel; após este período ele descobriu que não podia fazer nada de si mesmo. E só então que o Senhor o envia a fazer, e o último período (quarenta anos) de sua vida foi gasto no ministério. Um ministério do porte do que recebeu Moisés não se forma da noite para o dia e nem em alguns anos de seminário! É necessário tempo, muito tempo para que toda a capacitação interior ocorra; é preciso esperar, pois é na espera que Deus forja o caráter. 
 
          Mas a espera, em algumas vezes, não envolve somente a dimensão pessoal. No caso de Moisés, seus oitenta anos de preparação não eram apenas em função do tempo de Deus na vida dele, mas também de outros fatores envolvidos na mesma história. Havia o tempo de Israel como nação; o Senhor já falara antecipadamente a Abraão que sua descendência seria escravizada: "Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas" (Gn.15:13,14). 
 
          Só que embora Israel tivesse seu tempo dentro do plano de Deus, isto não dizia respeito a ele somente, mas para que Deus os pudesse livrar do Egito e levá-los a possuir Canaã, havia uma outra questão ainda: o tempo dos povos que habitavam em Canaã; o Senhor disse, na mesma ocasião, à Abraão: "Na quarta geração, tornarão para aqui; porque não se encheu ainda a medida da iniquidade dos amorreus" (Gn.15:16). Para tirar a terra dos cananeus e entregá-la ao povo de Israel, havia um tempo onde a longanimidade de Deus estaria em operação, depois este tempo se esgotaria quando eles enchessem a medida da ira divina, o que resultaria em juízo. 
 
           Ao dar a terra de Canaã aos hebreus, o Senhor não apenas cumpria seu plano na vida de seu povo, como também julgava aqueles povos que rejeitaram a Deus em seus pecados. Estas coisas aconteciam simultaneamente e tinham seu tempo. Mesmo antes de tudo isto ocorrer, mais de seiscentos anos antes, Deus já havia dito que seria assim. Ou seja, esta espera era necessária e não seria mudada. Foi o que o Senhor quis dizer ao anunciá-la previamente. Dentro de todo este contexto é que entrava o ministério de Moisés e foi por isso que ele não foi aceito antes, ainda não era a hora; mas quando o tempo chegou, Deus o levantou. 
 
          Precisamos aprender a esperar no Senhor. Davi declarou: "Esperei com paciência pelo Senhor, e ele se inclinou para mim e ouviu o meu clamor" (Sl.40:1 - Revisada). Para um número considerável de pessoas entre o povo de Deus hoje, esta não é uma mensagem tão agradável, pois choca muito do que se tem ensinado por aí, mas é bíblica. E será também um remédio para muitos que estão em crise! Não pare de crer no que Deus pode e quer fazer em sua vida. 
 
          Se não acontecer imediatamente à sua oração, persevere em buscar ao Senhor e crer que Ele agirá. Espere n'Ele até receber e, quando tudo terminar, você verá que não somente terá vencido a tribulação como também terá se tornado mais que vencedor. Você terá sido tratado e trabalhado por Deus e, ao fim do período de espera, descobrirá que enquanto esperava no Senhor, Ele não apenas agiu nas circunstâncias mas também o levou a alcançar mais maturidade. 
 
           E aconteça o que acontecer, saiba que Deus é soberano sobre todas as coisas a ponto de levá-lo a lucrar em qualquer situação e que, se você não tirar os olhos d'Ele, nada poderá afastá-lo do amor e cuidado d'Ele. Nada! 
 
"Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Romanos 8:38,39.
 

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