domingo, 25 de agosto de 2013

O que realmente é o Gnosticismo?


Gnosticismo

          O termo “gnosticismo” vem da expressão grega “gnosis”, que significa “conhecimento” ou “ciência”.
 
          A filosofia gnóstica surgiu em meados do primeiro século antes de Cristo, provavelmente na Ásia Menor (atual Turquia). Sua tese principal era que o homem só alcançaria a salvação de sua alma através do conhecimento. Este conhecimento a que se referiam era o ocultismo, e o tal só poderia ser recebido após sucessivas iniciações esotéricas.
 
          Quando se fala em esoterismo e ocultismo, em última análise se está referindo à mesma coisa. Os que buscam este tipo de conhecimento defendem que a “realidade” das coisas não é aparente, mas está envolvida em mistérios que só podem ser revelados àqueles que os buscam e que se tornam dignos de recebê-los. Era exatamente a este tipo de conhecimento que o gnosticismo se referia, sendo, portanto, moldado à luz das religiões de mistério babilônicas, o ocultismo egípcio, as filosofias gregas metafísicas e demais correntes místicas e esotéricas.
 
          Especialmente pelo fato de ter surgido em meio à revolução provocada por Jesus Cristo e sua doutrina, a filosofia gnóstica logo tratou de aglutinar conceitos cristãos à miscelânia religiosa. Surgiu então, praticamente em conjunto com o cristianismo bíblico, o cristianismo gnóstico ou gnosticismo cristão. Os mestres gnósticos enxergaram em Jesus a figura ideal para “liderar” seu movimento religioso, embora nenhum deles tivesse sequer conhecido Jesus, durante seu ministério – e vice-versa.
 
          Este gnosticismo cristão propunha as seguintes doutrinas, com algumas variações a depender do grupo de onde se originou:
1. O mundo físico e tudo o que ele contém é mau. Somente o mundo espiritual é bom. Deste modo, o corpo é pecaminoso e mau, somente o espírito é bom e será salvo;
2. Por causa da primeira premissa, o que fazemos através do corpo será sempre mal; assim sendo, toda forma de dissolução e pecado pode ser cometida, pois não há como evitar isso, além de não afetar o espírito;
3. Este mundo físico e mau foi criado por um ser chamado Demiurgo (tecelão, em grego), filho de um dos Éons (emanações de Deus), e que só pôde criar a matéria, mas não a razão;
4. O conhecimento veio através do próprios Éons, que desejavam ver os homens evoluindo e alcançando a verdadeira sabedoria de Deus;
5. Jesus Cristo foi um desses Éons, e legou um conhecimento oculto que somente os gnósticos conheciam;
6. Jesus não veio em carne, mas possuía um corpo espiritual; algumas correntes chegavam a afirmar que Jesus era o homem, enquanto o Cristo era o Éon divino que nele repousou;
7. O Pai de Jesus é o Deus verdadeiro, enquanto Jeová, o Deus hebreu, seria o Demiurgo;
 
          Outras doutrinas estranhas existiam entre os gnósticos, que, a propósito, não eram muito unidos em pensamento. Enquanto alguns grupos, acreditando que o corpo era mau, se entregavam a toda sorte de perversões sexuais e luxúrias, outros, ao invés, viviam em constante mortificação da carne, chegando a aplicar mutilações e mesmo proibindo o casamento. Aliás, encontramos no Novo Testamento muitas recomendações dos apóstolos contra as doutrinas gnósticas. Podemos encontrar refutações dessas doutrinas no Evangelho de João, nas cartas de Paulo a Timóteo, nas epístolas de Pedro, João e Judas e também no Apocalipse. Na verdade, a tradição diz que o próprio Evangelho de João foi escrito para refutar de uma vez por todas as doutrinas gnósticas que negavam a divindade de Jesus e de sua manifestação em carne.
 
          Existem muitos escritos gnósticos deixados à posteridade e os que mais chamam a atenção de todos são os chamados “evangelhos gnósticos”. A maioria trata da vida e obra de Jesus, porém com uma roupagem totalmente gnóstica. Exemplos destes são os evangelhos de Tomé, Judas, Pedro e outros. O infame evangelho de Judas chega a insinuar que Jesus e Maria Madalena fossem amantes, o que claramente se choca com o que encontramos nos Evangelhos canônicos. Interessante notar que os eruditos afirmam categoricamente que nenhum destes evangelhos foi escrito pelo suposto autor, ou seja, a identificação apostólica deles é falsa, motivo pelo qual nunca foram agrupados aos que compõe o NT.
 
          Ao longo dos tempos, o gnosticismo, especialmente o cristão, permaneceu ativo, tendo sido incorporado à filosofia de grupos como Os Cavaleiros Templários, a Cabala ocidental, a Maçonaria, a Ordem Rosa-Cruz, o Espiritismo Kardecista e até mesmo o Catolicismo Romano.
 
          Do ponto de vista esotérico, depois do surgimento da Sociedade Teosófica em fins do século XIX, o gnosticismo tornou-se uma espécie de parâmetro para explicar os mistérios ocultos do universo. De fato, a Teosofia veio com a mesma proposta gnóstica de aglutinar várias filosofias e idéias religiosas ocultistas e dar uma resposta unificada sobre tudo.
 
          Especialmente hoje, nós cristãos bíblicos, devemos estar atentos a estes ensinos, pois a base da Nova Era é gnóstica. O Jesus que este movimento tem apresentado é um Jesus ecumênico, esotérico, que não é o Filho de Deus (mas “um” dentre todos), que não é o Cristo (sendo este um ser cósmico divino separado de Jesus) e que contradiz tudo o que está revelado nas Escrituras.
 
          O Gnosticismo Cristão é uma doutrina perniciosa que, infelizmente, ainda está presente no mundo.
 
Eis algumas passagens bíblicas que refutam as doutrinas gnósticas da época: Jo 1:1-4; 1Tm 4:1-5; 6:20 (“ciência” aqui é a tradução de “gnose”); 2Pe 2.1-3; 1Jo 2:18-26; 4:1-6; 2Jo 7-11; Jd 4; Ap 2:14,15,20-24

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