segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O Evangelho de Barnabé - Relatos Cristãos Antigos

O evangelho de Barnabé

Relatos cristãos antigos

          Nossa segunda pista é o vasto número de cartas, sermões, comentários e crenças cristãs antigas que fazem referência a Jesus como o Senhor revivido. Eles aparecem a partir de cinco anos após sua crucificação. Apesar de muitas escrituras terem sido queimadas sob o edito do imperador romano Diocleciano, milhares sobreviveram.
 
         O número de tais documentos é impressionante, mais de 36 mil escrituras completas ou parciais foram descobertas, algumas até mesmo do primeiro século.[16] Suas palavras poderiam praticamente reproduzir todo o Novo Testamento, com a exceção de poucos versos.[17]
 
         Como isso se compara com o Evangelho de Barnabé? Já notamos que existem apenas duas citações deste que são anteriores ao século XV, e há dúvidas de que essas referências sejam sobre o “Evangelho de Barnabé” em questão.[18]
 
         As escrituras mais antigas, fora do Novo Testamento, eram de homens que conheciam e seguiam Paulo, Pedro, João e os outros apóstolos. Esses líderes da igreja antiga não eram testemunhas oculares de Jesus, mas souberam dele através daqueles que realmente o viram e ouviram. De maneira significativa, suas escrituras confirmam muitos detalhes do Novo Testamento sobre Jesus, incluindo sua crucificação e ressurreição.
 
As mais importantes escrituras antigas, fora do Novo Testamento, são de Clemente Romano, Inácio de Antioquia e Policarpo de Esmirna.
  • Em 96 d. c., Clemente Romano escreveu uma longa carta para a igreja de Corinto na qual citou Mateus, João e 1 Coríntios. Alguns acreditam que ele é o Clemente mencionado por Paulo em Filipenses 4:3. Visto que a carta de Clemente foi escrita em 96 d.C., esses três livros devem ter sido escritos antes disso.
  • Em cerca de 110 d.C., Inácio de Antioquia, um discípulo do apóstolo João, escreveu seis cartas a igrejas e uma a um colega bispo, Policarpo, nas quais faz referências a seis das cartas de Paulo.
  • Policarpo de Esmirna, outro discípulo do apóstolo João, faz referência a todos os 27 livros do Novo Testamento em sua carta à igreja filipense (110 a 135 d.C.). Portanto, os evangelhos devem ter existido durante o primeiro século enquanto algumas testemunhas (incluindo João) ainda estavam vivas.
Não vemos tal referência antiga à existência do Evangelho de Barnabé.

Cópias de manuscritos antigos

          Nossa terceira pista é a abundância de manuscritos antigos do Novo Testamento que ajudaram os estudiosos a determinar a data aproximada de sua composição original. Arqueólogos descobriram mais de 5.600 cópias de manuscritos do Novo Testamento no idioma grego original, alguns livros completos e alguns fragmentos. Contando outros idiomas, existem mais de 24 mil.[19]
 
          Claramente, 5.600 contra três é uma vantagem numérica enorme de manuscritos para o Novo Testamento. Além disso – e comparando-se ao período tardio do Evangelho de Barnabé – arqueólogos descobriram fragmentos do Novo Testamento que datam de uma a duas gerações depois de Cristo.
 
          No início do século XX, um fragmento do Evangelho de João foi descoberto no Egito (especificamente P52: João 18:31-33) datando de 117 a 138 d.C. O renomado estudioso bíblico Bruce Metzger comentou a significância desta notável descoberta:
Assim como Robinson Crusoé viu nada mais que uma única pegada na areia, e concluiu que um ser humano de dois pés estava presente na ilha com ele, o P52 [o título do fragmento] prova também a existência e o uso do Quarto Evangelho durante a primeira metade do século II… ”[20]
          A descoberta deste fragmento significa que uma geração depois de João ter escrito seu evangelho, uma cópia havia migrado da Ásia menor até o Egito. Existem muitos outros manuscritos antigos datados da metade do século II até os séculos IV e V. Livros completos do Novo Testamento datam de 200 a 1500 d.C., e estão preservados em vários museus (Papiros de Bodmer).[21]
 
         Um fragmento de papiro ainda mais antigo dos Manuscritos do Mar Morto (7Q5) foi identificado por um paleógrafo como uma parte do Evangelho de Marcos datando de cerca de 50 d.C., significativamente antes do fragmento P52 de João.
 
          O professor do Novo Testamento, Daniel B. Wallace, que estudou o fragmento dos Manuscritos do Mar Morto, concorda que este é do primeiro século.[22] Apesar de haver discussões sobre este fragmento, as evidências coletivas de outros manuscritos apoiam fortemente um Novo Testamento escrito no primeiro século.
 

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