quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Lia: Mulher Capaz de ter Amor Forte e Duradouro

LIA

(Seu nome pode significar “impaciente” ou “vaca selvagem”.)

SEU CARÁTER : Capaz de ter amor forte e duradouro, era mãe e esposa fiel. Manipulada pelo pai, passou a invejar a irmã, com quem, ao que parece, nunca se reconciliou.

SEU SOFRIMENTO : Não possuir a beleza da irmã e o seu amor pelo marido ser unilateral.

SUA ALEGRIA : Ter dado a Jacó seis filhos e uma filha.

TEXTOS-CHAVE: Gênesis 29 a 35; Rute 4.11


                                                    SUA HISTÓRIA

          Sepultamos minha irmã Raquel hoje, mas ela continua viva. Vejo sinais dela no coração partido de Jacó, nos olhos escuros de José, no choro alto do pequeno Benjamim, seus filhos favoritos. Os filhos de Raquel. Posso ouvir minha bela e decidida irmã chorando pelos filhos que poderia ter tido, recusando-se obstinadamente a ser consolada. Todavia, quem nota minhas lágrimas? Mesmo que inundassem o deserto, ninguém as notaria. Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom, Diná e também Gade e Aser, concebidos por minha criada: são esses os filhos que Deus me deu e que dei ao meu amado Jacó. Mesmo assim, ele a ama mais do que a mim. Ainda que meu marido e eu vivamos mais cem anos, nunca serei sua única esposa.

           Ao contrário do que Lia podia ter sentido, Deus tinha notado seu sofrimento. Sabendo muito bem que o coração de Jacó era muito pequeno para conter Raquel e Lia ao mesmo tempo, tornou Lia mãe, não uma vez, mas sete, aumentando sua influência na casa de Jacó. Com o nascimento de cada filho, a infeliz Lia esperava obter o afeto do marido, mas sua frustração era cada vez maior. Ela parecia sentir que a velha maldição se concretizava: “O teu desejo será para o teu marido, e ele te governará” (Gn 3:16).

          Jacó, talvez se ressentisse, ainda, por Lia tê-lo enganado na noite de núpcias, disfarçando-se como sua amada Raquel. O amor de Lia teria sido, certamente, apaixonado o suficiente para iludi-lo até o raiar do dia. Sentia-se ao mesmo tempo, alegre e culpada pelo que fizera, embora, para dizer a verdade, tivesse pouca chance de desobedecer ao pai, Labão, nesse assunto. Lia agradecia a Deus todos os dias por lhe permitir que concebesse os filhos de Jacó, embora filhos sempre causem à mãe um sofrimento.

           Diná, sua única filha, foi estuprada por um príncipe local na volta deles à terra de Jacó. Lia tinha dificuldade para consolá-la. Para piorar as coisas, dois dos filhos de Lia, Levi e Simeão, vingaram a irmã assassinando selvagemente uma cidade inteira. A seguir, Rúben, cai em desgraça por ter dormido com Bila, concubina do pai. Deus não prometera protegê-los se voltassem àquela terra da promessa? Por que essas coisas estavam acontecendo? Lia refletiu. Deus cuidara mesmo deles quando encontraram Esaú e seus quatrocentos homens. Mas a alegria de Lia ao presenciar o reencontro amigável dos dois homens foi logo ofuscada por sua tristeza em saber que era a esposa menos amada. Jacó deixara isso claro ao colocar Raquel e seus filhos em último lugar na longa caravana, dando a eles mais facilidade para escapar, caso Esaú se mostrasse violento.

          O amor de Jacó, porém, não pode impedir Raquel de morrer no parto. Lia, não Raquel, estava destinada a ser sua primeira e última mulher. Ao lado do marido, o pai de Israel, ela seria reverenciada como mãe de Israel. De fato, a promessa de um Salvador não se cumpriu por meio de José, filho de Raquel, mas de Judá, filho de Lia, cujos descendentes incluíram Davi, o grande rei de Israel e Jesus, o Messias longamente aguardado. No final da vida, Jacó foi enterrado na caverna de Macpela junto à primeira esposa, Lia, em vez de sua esposa favorita, Raquel, sepultada em algum lugar perto de Efrata.

          As duas irmãs, Lia e Raquel, lembram-nos de que a vida está repleta de tristezas e perigos, grande parte fruto de nosso próprio pecado e egoísmo. As duas mulheres sofreram – cada uma a seu modo – a maldição de Eva depois da expulsão do paraíso. Embora Raquel sofresse muito ao dar à luz filhos, Lia sofreu a angústia de amar um homem que parecia indiferente a ela. Todavia, ambas tornaram-se mães em Israel, deixando sua terra natal para desempenhar papéis essenciais na história do grande plano de Deus para seu povo.
SUA VIDA E SUA ÉPOCA

Costumes nupciais

          Os costumes de casamento nos tempos bíblicos eram muito diferentes dos modernos. Era raro um homem e uma mulher casarem por amor. Jacó é uma notável exceção ao expressar seu amor por Raquel e seu desejo de casar com ela. Jacó casou com Raquel e com Lia, prática que foi, mais tarde, proibida por lei (Lv 18.18). A noiva e o noivo eram, em geral, muito jovens quando casavam. A noiva tinha quase sempre cerca de doze anos e o noivo treze. O casamento era arranjado pelos pais e o consentimento deles não era exigido nem solicitado. Mesmo assim, tais casamentos poderiam vir a ser uma união de amor, como a de Isaque e Rebeca.

          A cerimônia do casamento, em si, era geralmente bem curta, mas as festividades podiam durar muitos dias. O noivo vestia-se de cores alegres e dirigia-se, antes do nascer do sol, com seus amigos, acompanhamentos e músicos, à casa dos pais da noiva. A noiva ficava ali, à espera, de banho tomado, perfumada e vestida com esmero, usando finas jóias. Os noivos seguiam, então, à frente da procissão do casamento, através das ruas do povoado, acompanhados de músicos e de portadores de tochas, até a casa dos pais do noivo. As festas e a celebração começavam naquela noite e quase sempre duravam sete dias.

           O plano de Deus para o casamento, que é do marido casar com apenas uma esposa, nem sempre foi praticado no princípio dos tempos bíblicos. Lia compartilhou o marido, Jacó, não só com a irmã, Raquel, mas também com as criadas Zilpa e Bila. Embora a poligamia fosse menos comum depois do êxodo do Egito, Gideão tinha diversas mulheres (Jz 8.30) e Salomão, como é sabido, tinha várias (I Rs 11.3). Mas como indica o Novo Testamento, a união entre um marido e uma esposa continua a ser o desígnio e o desejo de Deus (I Tm 3.2,12; Tt 1.6).

SEU LEGADO NAS ESCRITURAS

Leia Gênesis 29.30
1. Escolha a palavra que, a seu ver, melhor descreve os sentimentos de Lia sobre o casamento com Jacó.
2. Muitos maridos hoje amam outras coisas mais do que as mulheres: emprego, posição, dinheiro, esportes. Muitas coisas, além de outra mulher, podem colocar uma esposa na posição de Lia. Se você conhecer alguém que seja uma “Lia”, ore diariamente por ela e encoraje-a, quando houver oportunidade.

Leia Gênesis 29.31
3. Lia é um exemplo incomparável da disposição de Deus de dar “uma coroa em vez de cinzas”(Is 61.1-3). Como Deus atuou, nesse sentido, em sua vida?

Leia Gênesis 29.32-34
4. Em cada um desses versículos, Lia expressa seu desejo pelo afeto de Jacó, que sabia não ter. Em suas próprias palavras, descreva como Lia provavelmente se sentia e agia com Jacó. Qual você pensa que era a reação dele?
5. Você já se sentiu mal-amada por seu marido, por seus pais ou por outra pessoa? Como se sentiu e como agiu? Qual é a sua única fonte de consolo quando deseja desesperadamente um amor que não possui?

Leia Gênesis 49.29-31
6. Jacó foi enterrado perto da mulher que amava menos, em vez de perto daquela que amava mais. O que isso mostra não só sobre a posição de Lia como esposa, mas também como mãe dos israelitas?
7. Embora Lia, naturalmente, desconhecesse a posição que lhe foi concedida na morte, o que esses versículos continuam a revelar sobre o cuidado de Deus pela vida dela?
8. Lia teve uma vida plena, com muitos filhos e riquezas. Todavia, ela é mais conhecida pelo que não tinha: o amor do marido. Deus notou o que ela possuía e também o que lhe faltava. O que você gostaria de aprender de Lia e de Deus hoje.

SUA PROMESSA

“Vendo o Senhor que Lia era desprezada, fê-la fecunda” (Gn 29.31). O Senhor notou o sofrimento de Lia. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó (marido de Lia) olhou do alto e viu uma mulher solitária e triste, porque o marido amava mais a outra esposa do que ela. A fim de aliviar sua tristeza, para consolá-la, Deus lhe deu filhos – belos, fortes, um dos quais fundaria a linhagem dos sacerdotes de Israel e outro que seria ancestral de Jesus.
Esse mesmo Deus de Abraão, Isaque, Jacó, Lia é nosso Deus. Ele vê nossas aflições, sejam pequenas ou grandes. Ele conhece nossas circunstâncias, sentimentos, mágoas. Assim como na vida de Lia, ele está disposto a interferir e a criar algo maravilhoso em nós e por meio de nós.

Promessas nas Escrituras

“O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e por em liberdade os algemados [....] e a por sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria em vez de pranto, veste de louvor em vez de espirito angustiado.” (Is 61.1-3)

“Tornarei o seu pranto em júbilo e os consolareis; transformarei em regozijo a sua tristeza.” (Jr 31.13)

SEU LEGADO DE ORAÇÃO

“Vendo o Senhor que Lia era desprezada, fê-la fecunda; ao passo que Raquel era estéril. Concebeu, pois, Lia e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben, pois disse: O Senhor atendeu à minha aflição. Por isso, agora me amará meu marido.”(Gn 29.31-32

Medite
Gênesis 29.16-31

Louve a Deus
Porque, embora os seres humanos sejam muitas vezes julgados pela aparência exterior, Deus sempre vê o coração e julga de acordo com isso.
Agradeça
Por Deus comover-se com sua tristeza.

Confesse
Sua tendência de comparar-se com outras mulheres, julgando a elas e a si mesma apenas pela aparência.

Peça a Deus
Que a capacite a basear sua identidade no relacionamento que tem com Ele e não no que vê no espelho.

Eleve o coração
Separe cinco minutos por dia para fazer um elogio a si mesma, agradecendo a Deus por fazer de você a mulher que é. Reflita sobre tudo o que gosta em si mesma – seu senso de humor, seu gosto por boa literatura, sua compaixão pelos outros, seu cabelo crespo e até a forma dos dedinhos dos pés. Resista a tentação de pensar no que não gosta. (Imagine, por um momento, como Deus deve sentir-se chateado quando ouve nossas queixas sobre como ele nos fez!). Em vez disso, decida agora honrá-lo com sua gratidão. No final de semana, vá almoçar com uma amiga ou tomar um chá demorado em sua confeitaria favorita comemorando todos os dons naturais que recebeu de Deus.

Oração
Senhor, não quero queixar-me da minha aparência com base no que os outros pensam de mim. Torna-se uma mulher confiante de que sou digna de ser amada não por causa de mera beleza exterior, mas porque me amaste desde o momento em que me fizeste vive

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