quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Profeta Samuel para Nossos Dias

Samuel
 
          Samuel foi um filho, que por mais que tenha sido fruto de um voto diante de Deus, serviu na casa do Senhor chamado e levantado por Deus para o desempenho ministerial. Ana clamou por um filho, Deus lhe respondeu dando-lhe o filho e provendo-Se de um Sacerdote e Profeta.
 
          Algumas coisas, porém nada de coincidência, nos fazem ver certa realidade do tempo de Samuel, no contexto espiritual e moral, com os nossos dias – os dias trabalhosos.
 
Vejamos o contexto da época:
 
1. Samuel foi servir no templo quando era criança, pois fora voto de gratidão de sua mãe entregá-lo ao serviço na casa do Senhor (I Sm. 1:11, 28; 2:11);
2. Samuel chegou à casa do Senhor em tempos turbulentos. Eli era o sacerdote – porém já sem autoridade; Hofni e Finéias estavam moralmente e espiritualmente depravados – a fama deles era horrível em Israel. Eram chamados de filhos de Belial, ou seja, homem vil; perverso de boca e de coração, que acena com olhos, mãos e pés; maquinador do mal e semeador de contendas (Pv. 6:12-14).
3. A glória – a presença de Deus – se afastara de Israel (I Sm. 4:20-22; 5:1-12; 6:1-12);
4. A nação de Israel estava acuada diante dos filisteus, e por causa disso, teve perdas significativas em duas batalhas – 34 mil homens de Israel, inclusive quando a arca do Senhor estava com eles (I Sm. 4:1-2; 10-11);
5. O povo estava de mãos dadas com a idolatria (I Sm. 7:3-4) – não servia ao Senhor de coração íntegro.
 
          Samuel tinha tudo ao seu favor para ser um sacerdote relapso, dissoluto, corrupto e indiferente para com a seriedade da obra de Deus. No entanto escolheu não seguir os exemplos ao seu lado, mas ouvir a voz do Senhor e fazer o que o Senhor lhe ordenava. A bíblia registra que:
 
a. Em contraste com a ministração corrompida de Hofni e Finéias, pois faziam o que bem entendiam com as coisas sagradas, “Samuel, porém, ministrava perante o Senhor. [...] Crescia em estatura e em graça diante do Senhor e dos homens” (I Sm. 2:12-18,26).
 
          Samuel procurou ouvir a voz do Senhor, entender o que o Senhor queria e seguir a vontade de Deus. Ministrar perante o Senhor denota integridade ministerial e moral, isto é, andava em retidão e justiça diante de Deus e dos homens. Acredito que não fora fácil para Samuel manter-se em postura firme pela verdade. Os homens que estavam corrompidos e corrompendo eram os da classe sacerdotal, juízes em Israel, e filhos do sacerdote Eli; Samuel, conquanto novo, teve a maturidade suficiente para ver que havia graves erros na conduta deles – eles não respeitavam as coisas sagradas, eles não obedeciam a Lei.
 
          Estamos vivendo dias parecidos – se não iguais. Estamos em tempos de corrupção ministerial, infelizmente. Homens corrompidos estão corrompendo o sagrado ministério, isto é, não tem responsabilidade nenhuma com o ministério que lhes fora confiado pelo Senhor; em sua carnal sensualidade, secularizam o chamado ministerial, e estão fazendo o que bem entendem: negócios financeiros ilícitos e extrapolados; pecados morais ficam escondidos (adultério, fornicação, prostituição, homossexualismo, etc.); estão introduzindo – no culto, como também na vida quanto na prática ministerial – sutilmente, inovações que nada tem a ver com a Palavra e a direção do Espírito Santo; muitos estão guiando a igreja e ministrando (mais) através de (somente) capacidades naturais (politicamente, carisma, influência pessoal, poder) em detrimento da orientação do Espírito Santo.
 
b. Em tempos de escassez da Palavra e visões do Senhor, “Samuel servia ao Senhor” (I Sm. 3:1).
 
          Samuel foi levantado por Deus e colocado na casa do Senhor porque o Senhor desejava trazer um reavivamento em Israel. Porém todo reavivamento tem que começar pelo altar e nunca pelo povo.
 
          A raridade da Palavra do Senhor e das visões naquele tempo era devido à corrupção sacerdotal que se instalara deliberadamente em todo serviço na casa do Senhor. Deus não tinha mais como operar através de sacerdotes corruptos. Hofni e Finéias não tinham nenhum respeito para com as coisas sagradas. Os sacrifícios eles assaltavam para satisfazer seus desejos, o que diz a bíblia ser “[...] muito grande o pecado destes moços” (I Sm. 2:12-17); além disso eles estavam envolvidos com pecados morais pois “tinham relações com as mulheres que serviam à porta da tenda da congregação” (I Sm. 2:22); diante de tudo isso a fama deles era péssima (I Sm. 2:24).
 
          A fama está relacionada com aquilo que fazemos. Se fizermos coisas más, a fama será má, se fizermos coisas boas, a fama será boa; muitos tem escondido a má fama atrás de uma capa de santidade, mas a Bíblia diz que o pecado havendo concebido gera a morte, e que nada há escondido que não seja revelado. O povo não podia ouvir o que os sacerdotes tinham a dizer, pois o que eles faziam (a fama deles) falava mais alto do que o que eles diziam. O Senhor não os usava, já tinha os rejeitado, e a Palavra diz que “[...] o Senhor os queria matar”.
 
          Há muitas igrejas em que a Palavra do Senhor – a pregação bíblica e cristocêntrica – é rara (quando não proibida), e as visões do Senhor há muito se foram. Isso é porque o ministério está corrompido. Não há mais temor no altar, como diz o hino: “parece que o pecado não é pecado mais; parece que o errar não é errado mais”. Hoje, muitas mensagens estão sendo deixadas de lado por que pode atingir homens (importantes, de fama), que mesmo no púlpito, estão envolvidos nos mais variados pecados; fazem parte do ministério, são pregadores, são ensinadores, mas estão com a vida embebida em pecado sobre pecado (Jd. 11-13) - mas não são Profetas!
 
          Não se pode falar contra avalanche de divórcio, porque há obreiros, nos púlpitos, divorciados; não se pode falar contra os pecados morais (adultério, fornicação, prostituição, homossexualismo), porque há obreiros de mãos dadas com esses pecados, e muitas vezes se mexer com eles, poderá vir à tona pecados horríveis de outros; não se pode falar com relação à seriedade administrativa e/ou financeira porque, inclusive, a seriedade administrativa de muitas igrejas é dúbia; e assim por diante; não se pode falar a verdadeira doutrina, porque há muitos de mãos dadas com liberalismo teológico. Devido a algumas porções de ‘fermento’ negligenciadas no caminho, está havendo uma levedação quase que total.
 
          A Palavra de Deus estava rara nos dias de Samuel porque os sacerdotes encontravam-se de mãos dadas com o pecado. Enquanto Hofni e Finéias estavam na prática dos mais variados pecados, Eli não tinha mais autoridade para detê-los. Por quê? Porque os honrava desta forma, Deus disse a Eli: “[...] por que honra a teus filhos mais do que a mim [...]?” (I Sm. 2:29).
 
          Há muitos obreiros que não estão praticando o pecado, mas que devido ao seu silêncio, pois não pregam contra, estão honrando os que tais coisas fazem. Honrar é colocar em evidência, é falar bem (sobre alguém, sobre algo), como pode ser também simplesmente deixar à vista, isto é, não se envolver. Honrar, biblicamente, não é, de forma alguma, lisonjear. Muitos perguntam: mas aquele não tem feito isso e isso? Como está ali (no púlpito)? Deus não se agrada com estas coisas, e a consequência é que a Palavra de Deus vai ficando rara e as visões – manifestações genuínas do Espírito Santo – com menos freqüência ainda (I Sm. 3:1).
 
          Conheço obreiros que dizem não ser necessária a confissão de pecados, como o adultério, nem para o cônjuge e família, quanto mais para o ministério. Não sou defensor da confissão auricular, mas devido à gravidade de certos pecados, faz-se necessário a confissão (o pedido de perdão) diante do cônjuge e da família, e também diante do ministério. Uma vez imposta as mãos do ministério sobre alguém, jamais este será visto como comum entre o povo. Paulo disse ter alcançado misericórdia por ter reconhecido sua condição de pecador (I Tm. 1:16); Salomão recomenda a confissão e o abandono do pecado para alcançar misericórdia (Pv. 28:13). Há muitos, infelizmente obreiros, que macularam o leito, e continuam andando como se nada tivesse acontecido (Hb. 13:4). Continua o hino anterior “pecados encobertos Deus vai requerer, por isso muitos hoje estão a sofrer”.
 
          Quando Acã pecou foi contra Deus, e o prejuízo veio sobre nação de Israel – foi punido e morto pela congregação. Josué poderia ter-lhe chamado para um cantinho e ‘negociado’ com ele – mas sabia Josué que isto não agradaria a Deus, e resultaria em decadência moral sobre Israel (Js. 7). Poderia Acã continuar sendo um guerreiro de moral se o seu pecado fosse encoberto, negociado? O que diria ele diante do pecado de algum irmão seu? Ficaria ele paciente sabendo que havia derrota sobre Israel por causa de algum pecado escondido? Por isso o pecado não pode ser encoberto. Pecados encobertos abrem as portas para frouxidão moral e espiritual, a autoridade entra em decadência (I Co. 5:6).
 
          A igreja em Corinto estava deliberadamente complacente com o pecado que grassava, mas Paulo os repreendeu e disse que os tais deviam ser punidos com a disciplina do Senhor; o silêncio dos corintos diante do pecado era porque estavam inchados, isto é, tomados de orgulho, e isto impedia de sentirem tristeza por causa do pecado (I Co. 5:1-6; cf. 6:1-11).
 
          Hoje, perante a Constituição, somos repletos de regalias e apoio para fazermos o que quisermos, e ninguém pode falar nada; infelizmente muitos tomam atitudes, amparados na moral dos homens, esquecendo que a ética e moral cristã está muito acima de qualquer valor moral humano. Mas tenhamos cuidado! (I Co. 6:1-11). Deus não vai deixar de punir o pecado porque a Constituição não pune. A Palavra do Senhor não passará (Mt. 24:35; cf. Jr. 25:14; 51:56; Rm. 12:19), a lei da semeadura e da colheita é bíblica (Gl. 6:7). Podemos nos esconder, em artigos constitucionais, diante dos homens; mas perante Deus, jamais – Deus é onisciente, onipotente e onipresente (Sl. 139:7-16).
 
c. Diante da queda moral do sacerdócio, o povo de Israel “[...] conheceu que Samuel estava confirmado como Profeta do Senhor (I Sm. 3:20).
 
          A decadente situação que se encontrava o sacerdócio nos tempos de Eli refletia a necessidade de mudanças profundas e espirituais. Por mais que a situação fosse caótica, Deus estava no comando. O poder da oração vai muito além do que podemos imaginar. Enquanto Ana sentia-se grata a Deus por lhe dar um filho como resposta a sua oração, Deus havia escolhido o seu filho para por em ordem as coisas em Israel.
 
          Tempos de crise são propícios para revelarem que são os corajosos para cuidarem dos negócios do Pai (Lc. 2:49). O compromisso de Samuel era com Deus, com a Sua Palavra. Samuel não precisou punir os que estavam brincando com o ministério e com as coisas sagradas. Quem os puniu e os extirpou foi Deus (I Sm. 2:25-36; 4:11,17,18). A posição firme que Samuel precisou ter foi com relação à Palavra, o povo reconheceu Samuel como Profeta porque que a Palavra de Deus na sua boca era verdade, o Senhor honrava e não deixava as palavras de Samuel cair por terra (I Sm. 3:19-21).
 
          As derrotas sofridas pelo povo de Israel diante dos filisteus revelam a confusão espiritual em que estavam. Foram derrotados inclusive com a Arca do Senhor no meio deles (I Sm. 4:4,10,11); o povo jubilou de forma tremenda e retumbante quando a Arca chegou no meio deles, mas na verdade, Deus não estava contente com eles, pois o coração de todos estava voltado para os ídolos e a prostituição. Dessa forma não houve vitória como esperavam, mas novamente foram derrotados, e de forma mais humilhante. Nem sempre os “júbilos” do culto corroboram a presença do Senhor.
 
Vivemos tempo de muitos louvores e cânticos; porém pouca adoração, oração e Palavra!
 
          Eles estavam vivendo uma sequidão espiritual. “[...] e toda a casa de Israel suspirava pelo Senhor” (I Sm. 7:2). Nesse tempo Samuel os conclama ao arrependimento e a reconciliação com Deus.
1. “Se de todo o vosso coração vos converteis ao Senhor”: o Senhor exigia uma conversão de coração, era mudança de atitude, de conduta, uma volta aos princípios da Palavra. Deus não estava contente com exterioridades; atitudes piedosas somente de aparência. Quando a Arca da aliança foi trazida de Siló, houve gritos, a terra estremeceu, houve voz de júbilo. Mas eram atitudes que revelavam um egocentrismo, o povo só queria a vitória sobre os filisteus, mas estavam distante da adoração genuína.
 
          Deus somente é adorado em espírito e em verdade, isto é, adoração que parte de corações convertidos a Ele. Samuel os chamou à conversão, e conversão verdadeira revelava algumas atitudes na prática deles.
 
2. “tirai dentre vós os deuses estranhos e as astarotes”: o coração de Israel estava voltado para a idolatria. Eles queriam as bênçãos de Deus, mas não queriam largar a corrupção espiritual em que estavam envolvidos. Era muito cômodo para o eu de cada um, obter vitórias sobre os filisteus e continuar na prostituição com os deuses falsos – queriam estar livres do jugo dos filisteus, mas ao mesmo tempo, não queriam largar os deuses dos filisteus. Isto revela uma dicotomia espiritual anátema: ao mesmo tempo muitos querem as bênçãos de Deus e as benesses condenadas por Deus de um mundo decaído.
 
          Tem muitos, nos dias de hoje, que vão à casa do Senhor buscar as bênçãos de Deus. Decretam, determinam, fazem campanhas de semanas ou dias, mas não querem um compromisso sério com a Palavra, pois a Palavra condena as suas obras más. Querem a bênção que lhes enriquece o eu e ao mesmo tempo andam de mãos dadas com adultério, a mentira, o roubo, a feitiçaria, a bebedeira, o divórcio, as falcatruas financeiras, e assim por diante. Se houver conversão genuína tudo que é estranho e condenável pela Palavra de Deus será extirpado.
 
3. “Preparai o vosso coração ao Senhor e servi a Ele só”: um coração convertido ao Senhor serve a Ele só. Um dos aspectos da Salvação é santificação, e isto relaciona-se com o culto à Deus. O salvo dedica-se unicamente para as coisas do Senhor, isto é, em todas as práticas e atitudes o seu interesse é glorificar a Deus. Servir ao Senhor significa estar disposto e viver dedicadamente ao Serviço a Deus, e isto provoca no cristão uma entrega contínua e diária ao Seu Senhor. Israel não podia servir ao Senhor na conquista dos inimigos e, depois aliar-se ao inimigo e servir-lhe em todas as suas práticas – pois isso era abominação diante de Deus – Deus não aceitava isso.
 
          Para muitos, avivamento é um emaranhado de inovações, de coisas novas a acontecer, mas na verdade não é bem assim. Avivamento, antes de tudo, é uma volta àquilo que foi abandonado por causa da secularização. Israel havia abandonado a verdadeira adoração; não andava mais perante o Senhor; não cultuava a Deus e muito menos respeitava as coisas do Senhor, conquanto ainda insistisse em querer as bênçãos de Deus.
 
          Ao ouvirem as repreensões e exortações de Samuel eles resolveram tirar “dentre si os baalins e as astarotes, e serviram só ao Senhor” (I Sm. 7:4). Veja como foi simples! Não precisou de inovações e novas revelações, eles só tiveram que voltar ao que era antes: adorarem só ao Senhor; servirem só ao Senhor.
 
          Muitos problemas não tem sido resolvidos nos arraiais da igreja por falta da Palavra. A porta está aberta para o caminho largo, para pecados tão grassos, porque está faltando Palavra, pregação bíblica, profecia, temos pregadores em abundância, mas Profeta do Senhor é coisa rara. Sem a Palavra não há conhecimento do Senhor. Quando Samuel os chamou ao arrependimento não fez aos gritos e a meias-palavras, mas falou-lhes a verdade, tocou-lhes a ferida; porém não ficou nisso, Samuel orou por eles, intercedeu por eles e se dispôs a oferecer sacrifícios em favor da vitória sobre os filisteus.
 
          Um coração convertido se torna preparado para o serviço na casa do senhor, o passo seguinte é Deus quem dá, pois é um passo de vitórias sobre os inimigos. Após o arrependimento, Samuel pôde orar por eles, houve confissão, jejum (consagração, santificação) e houve uma grande e definitiva vitória sobre os filisteus (I Sm. 7:5-14).
 
          Que o Senhor nos ajude a nos voltarmos para Sua Palavra. Acredito não ser tempo de bênçãos materiais, financeiras – e infelizmente isto está sendo tão desejado, tão buscado nos dias de hoje (quem busca em primeiro lugar o “reino e a sua justiça” tem sobre si essas Bênçãos [Mt 6:25-34]); o que estamos precisando é de Bênção espiritual em Cristo Jesus, para isso é necessário ter o coração convertido ao Senhor, desejar as coisas de cima, almejar a nossa pátria celestial, conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor.

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