segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Saindo do Ninho! Deixando a Zona de Conforto! Explicando as Vitórias!


 AGUILHÕES DE DEUS 
 
 
 
         
 
 
 
 
 
Quando Saulo seguia pela estrada de Damasco, teve a mais importante experiência de sua vida: viu Jesus, que se revelou a ele como o Cristo. E encontramos nesta revelação uma afirmação do Senhor Jesus para a qual não atentamos muito: "Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões" (At.26:13-15). 
 
          Há uma profunda revelação divina aqui. A compreensão desta frase tem afetado muito o meu andar em Deus. "Ele é rebelde e não aceita o tratamento de Deus em sua vida". De fato, eu não aceitava mesmo; não porque quisesse ir contra Deus, mas por não achar que Deus estivesse tentando tratar comigo. Mas o fato é que eu realmente não aceitava. Só que quando ouvi esta frase, que eu fora chamado de rebelde, doeu em mim. 
 
          "Quando o anjo do Senhor apareceu ao profeta Daniel, chamou-o de homem muito amado; a outros, os anjos tem trazido muitos elogios, e eu fui chamado de rebelde! Me rebelei contra aquilo só para tentar provar a Deus que eu não era rebelde... Saí para um retiro à sós com o Senhor, querendo ouvir sua voz e aprender dele numa época em que até estes termos como "tratamento" eram coisa nova para mim. E ouvi. O Espírito Santo me conduziu naquele tempo de oração a uma compreensão deste assunto aqui explanado, e então compreendi muitas coisas na minha vida e na vida dos que eu pastoreava". 
 
          Deus trata mesmo conosco. O livro de Hebreus declara que se estamos sem correção, então não somos filhos, somos bastardos. Mas Deus corrige a quem ama. Não me refiro à correção do pecado como atitudes apenas, mas sim àquilo que povoa nosso íntimo, nossas intenções e motivações erradas, nossa visão distorcida do reino de Deus, nossa falta de quebrantamento, nossa vida egoísta e carnal, centrada só no que pensamos e queremos. O Pai Celestial sabe como lidar com tudo isto; e tenha certeza: Ele lidará mesmo conosco nesta questão. 
 
          Penso que devemos começar com algumas definições. O que é um aguilhão? É uma ferramenta que praticamente não conhecemos nos dias de hoje, pois a tecnologia substituiu seu uso. Hoje em dia, a grande maioria dos campos de plantio são arados por um trator, mas naqueles dias de Paulo, o arado era puxado por bois ou cavalos; quando o animal empacava, usava-se um aguilhão de metal, tal qual uma lança, para espetá-lo e fazê-lo andar de novo. O aguilhão, portanto, era uma haste comprida de metal com a ponta afiada, cujo propósito era produzir incômodo e dor no animal, fazendo-o obedecer seu dono. Só era usado nos animais teimosos e obstinados. 
 
          Agora veja o paralelo: Jesus disse que Paulo estava recalcitrando contra os aguilhões, o que nos revela que Deus tem seus aguilhões. E com que propósito Deus tem seus próprios aguilhões? Para usá-lo em nossas vidas, quando empacamos em relação à sua vontade. Sabe, o tratamento de Deus sempre tem a ver com aquelas áreas em que não nos deixamos ser trabalhados facilmente; tem a ver com nossa teimosia e rebeldia, mas o Senhor sabe como nos espetar e fazer com que andemos de novo! 
 
          Esta é mais uma parte do agir invisível de Deus. Ele age de formas misteriosas que, na maioria das vezes, não são visíveis aos nossos olhos. Temos o costume de atribuir ao diabo toda circunstância negativa, mas nem sempre é assim. Há momentos quando podemos estar colhendo o fruto de nossa própria obstinação, e o diabo não será o responsável não. O que quero partilhar neste capítulo é que, algumas vezes, Deus mesmo pode estar nos resistindo. Não é fácil ver Deus agindo assim, como não é fácil ver a maior parte do seu agir em nós, pois Ele trabalha fora da vista dos nossos olhos e da compreensão de nossa mente. Se empacarmos, certamente o aguilhão será usado. 
 
          Tendo definido o que é um aguilhão, creio que precisamos entender melhor a palavra "recalcitrar", que já não é tão usada em nossos dias. Recalcitrar significa: "resistir; não ceder; teimar; obstinar-se; insurgir-se; desobedecer; e no caso do animal: dar coices". Nos dias em que Jesus escolheu esta ilustração havia alguns animais tão teimosos e rebeldes, que mesmo sendo aguilhoados não andavam. E não só não avançavam como ainda se rebelavam contra o próprio aguilhão; ao serem espetados ficavam embravecidos e davam coices no aguilhão. 
 
          Resultado: se machucavam muito mais ao darem coices do que quando eram aguilhoados. O Senhor Jesus não somente revelou que Deus tem e usa seus aguilhões, como também que Saulo (como muitos de nós) estava sendo por demais obstinado; além de empacado em relação a Deus, ele se encontrava recalcitrando, ou seja, dando coices contra o aguilhão de Deus em sua vida, tentando lutar contra ele. Nós, cristãos de hoje, também somos assim; muitas das vezes em que o Senhor quer tratar conosco, resistimos e recalcitramos. 
 
          Tenho certeza de que o Pai Celeste não quer ter que nos tratar como se trata com os animais, mas a verdade é que muitas vezes agimos como tais. A própria Escritura nos adverte a não agir assim; e certamente Deus não nos advertiria desta forma se não fosse comum procedermos desta maneira. Observe o que o Espírito Santo disse por boca de Davi: 
 
"Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e sob as minhas vistas, te darei conselho.
Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não obedecem."
Salmo 32:8,9. 
 
          A Bíblia está dizendo que os animais só obedecem na marra, e menciona os freios e cabrestos usados para forçá-los a obedecerem. E então somos exortados a não agirmos como o cavalo ou a mula! O fato é que quando agimos como animais Deus nos tratará tal qual agimos. Se empacamos em relação à sua vontade, Ele tem seus aguilhões. E tenha certeza: Ele não deixará de usá-los contra a nossa caturrice! 
 
 
O AGUILHÃO DA CONSCIÊNCIA 
 
          Em relação a Saulo, Deus já vinha usando seus aguilhões e ele recalcitrando contra. Mas que aguilhões eram estes? O que já poderia estar espetando a vida de Paulo em relação à pessoa de Cristo Jesus? Contra o quê ele já vinha lutando quando viu o Senhor? Em toda a Bíblia vemos que os aguilhões de Deus podem tratar com a pessoa interiormente (sua consciência) e exteriormente (as circunstâncias à sua volta). 
 
          Como no caso da conversão de Paulo a Bíblia nada diz sobre uma pressão circunstancial, entendemos que se tratava de aguilhões espetando seu íntimo, sua consciência. Pela própria Escritura podemos discernir alguns aguilhões que vinham aferroando sua consciência:
1) Insatisfação quanto ao judaísmo;
2) A identidade de Jesus. Era fácil perseguir seus seguidores, mas livrar-se de pensamentos quanto à identidade de Jesus, não era assim tão simples... nenhum homem jamais operou tantos milagres!
3. O testemunho de cristãos que, mesmo em meio a perseguição e morte, estavam cheios de alegria e perdão. 
 
          Certamente todas estas coisas vinham dando um nó na cabeça de Paulo. Ele estava tremendamente desgostoso com um judaísmo que não lhe comunicara vida, e o que lhe faltava de justiça, paz e alegria, sobejava aos cristãos que se dispunham a morrer por Jesus. Quem era este homem? Creio que Paulo deve ter feito esta pergunta a si mesmo centenas de vezes, mas em momento algum ele cedia à idéia de que Jesus podia ser o Messias de Deus. E com todas estas evidências, o Senhor foi espetando Paulo por dentro; mas ele era teimoso e lutava contra isto. Recalcitrava contra os aguilhões, até que o Senhor lhe apareceu. 
 
          Tenho conhecido pessoas que eram totalmente contra o mover do Espírito Santo na Igreja, e lutavam com unhas e dentes contra a obra de renovação espiritual que o Senhor tem operado, e que começaram a ser "torturadas" por dentro com pensamentos de que só Deus podia estar fazendo aquilo. Elas têm nos relatado que enquanto sua boca negava esta obra, era como se, aos poucos, sua mente e coração começassem a dizer sim. E esta guerra interior as deixava realmente aborrecidas! Não sei dimensionar o que Paulo passou, pois foi uma experiência pessoal dele; mas sei que certamente ele enfrentou lutas interiores. 
 
          Este é o primeiro nível da aguilhoada de Deus. O Senhor começa sempre falando ao nosso interior de forma tão meiga e suave, que às vezes pode parecer que nem sequer seja Deus falando. Mas depois aquela voz começa a insistir a ponto de tornar-se até incômoda. Lembro-me de quando estava num ministério itinerante de apoio a igrejas e Deus começou a falar ao meu coração sobre a necessidade de pastorear. Eu sempre dizia que a última coisa que eu queria ser na vida era pastor e, de repente, via o meu coração começar a concordar com Deus e uma luta muito grande iniciar-se no íntimo, entre ceder àquilo ou ao que minha boca dizia. 
 
          A princípio, parecia ser apenas um pensamentozinho qualquer; depois, tornou-se uma idéia mais clara; por fim um desejo de pastorear. Contudo, minha razão dizia que não havia pressa, que podia esperar mais tempo para ver como as coisas se conduziriam. E eu recalcitrei contra aquele aguilhão interior como pude, até que Deus passou ao segundo nível.
 

 
 

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