domingo, 1 de setembro de 2013

Maná: O Pão do Céu


O ALIMENTO ESPECIAL 

 
          Tão logo Israel saiu do Egito, se viu num deserto onde não havia como plantar e colher seu próprio alimento, não só pela questão de ter ou não terra fértil, como também pelo fato de que estavam a caminho de Canaã e somente lá se fixariam definitivamente. Mas logo chegaram ao questionamento: o que comeremos? E Deus misericórdia e graciosamente lhes deu o maná, o pão do céu: 
 
"E, quando se evaporou o orvalho que caíra, na superfície do deserto restava uma cousa fina e semelhante a escamas, fina como a geada sobre a terra.
Vendo-a os filhos de Israel, disseram uns aos outros: Que é isto? Pois não sabiam o que era. Disse-lhes Moisés: Isto é o pão que o Senhor vos dá para vosso alimento.
Deu-lhe a casa de Israel o nome de maná; era como semente de coentro, branco e de sabor como bolos de mel.
E comeram os filhos de Israel maná quarenta anos, até que entraram em terra habitada; comeram maná até que chegaram aos termos de Canaã."
Êxodo 16:14,15,31,35. 
 
          Durante quarenta anos foram sustentados desta forma milagrosa pelo Senhor, mas ao entrarem em Canaã e comerem do fruto da terra, cessou o alimento especial. 
 
"No dia imediato, depois que comeram do produto da terra, cessou o maná, e não o tiveram mais os filhos de Israel; mas, naquele ano, comeram das novidades da terra de Canaã."
Josué 5:12. 
 
          Foi como se Deus lhes dissesse: - "Enquanto não havia meios de vocês se sustentarem por si mesmos, Eu o fiz por vocês. Mas agora é com vocês, estão por conta própria". Não que o Senhor deixaria de estar com eles, mas agora teriam que se esforçar para terem seu próprio alimento. 
 
          E o princípio espiritual que disto se aplica é que no começo de nossa caminhada da fé experimentamos durante um tempo o alimento especial. Parece que onde quer que abríamos as nossas Bíblias Deus falava, até mesmo nas genealogias! Só que depois de um tempo na caminhada da fé, todos passamos por aquela crise quando parece que a fonte secou; que a Palavra já não é mais a mesma. Falta-nos algo, e não se trata apenas de ânimo ou motivação, mas é como se a própria Bíblia tivesse mudado de repente... 
 
          E o que não dizer daquelas promessas tão vivas em nosso coração e que nos sustentavam nas horas difíceis, mas que agora não parecem mais do que meras lembranças? Ou ainda aqueles cultos quando parecia não interessar quem pregasse, a Palavra de Deus jorrava sobre nossos corações... Então nossa fé era suficiente para crer que Deus poderia usar até mesmo a jumenta de Balaão em nossas vidas mas, depois de um tempo, parece que já não somos supridos. E o pior: tornamo-nos críticos e já não temos mais nem os ouvidos e nem o coração abertos. 
 
          Por que isto nos ocorre? Será que é porque tão somente não queremos mais ser alimentados? Não! Na verdade chega um momento quando o Pai Celeste mesmo muda não somente o nosso cardápio, mas também a forma de obter o alimento! É o momento quando Ele "sacode a asa", e nos joga para despenhadeiro abaixo. É a hora de voar, de ser maduro, de crescer. E daí por diante teremos que dar duro pelo alimento, à semelhança de Israel que teve que arar, plantar e colher para, então, se alimentar.
E isto é muito mais complicado do que receber o maná, não é mesmo? Esta é a hora de começarmos a estudar e meditar de fato na Bíblia; é a hora de se cavar mais fundo para poder extrair mais ricos minérios. Enquanto estamos no início, Deus nos sustenta de forma especial, mas seu plano não é que vivamos na moleza, na comodidade. O Senhor quer de nós empenho e determinação na busca de alimento; Ele quer que a maturidade tenha o seu lugar em nós. Paradoxalmente, se é de Deus é difícil... tem preço! 
 
 
PROTEÇÃO ESPECIAL 
 
          Não foi somente a alimentação especial que sofreu mudanças. Houve mudança também na forma de Deus proteger seu povo. Durante o tempo em que peregrinou pelo deserto, os israelitas provaram um milagre após o outro, e entre tantos eles há um que queremos destacar:
"Quarenta anos vos conduzi pelo deserto; não envelheceram sobre vós as vossas vestes, nem se gastou no vosso pé a vossa sandália."
Deuteronômio 29:5. 
 
          Pense nisto, eles nem sabiam o que era moda! Usaram as mesmas roupas por quatro décadas. Suas sandálias também não se envelheceram (além de outros milagres de preservação, como a cura para a picada das serpentes abrasadoras). Mas quando chegaram à Terra Prometida tiveram que inventar a confecção de roupas e calçados! 
 
          Ao iniciarmos a jornada da fé cristã provamos o mesmo: proteção especial, cura, etc. Parece que nos tornamos inatingíveis, que há um escudo especial à nossa volta. Alguns parecem nem conhecer as provas e tribulações, pois as poucas que lhes sobrevêm, parecem já vir acompanhada do livramento... Mas chega o dia de ser lançado do ninho e de alcançar a maturidade e é, então, que as provas e tribulações parecem vir com tudo para cima da gente.  Isto não significa rejeição, mas é indício de crescimento espiritual. Tenho acompanhado a vida espiritual de muita gente nos últimos anos e tenho visto o quanto isto lhes sucede. 
 
 
DIREÇÃO ESPECIAL 
 
          Uma outra coisa que sofre mudanças neste tempo de amadurecimento é a forma como Deus manifestará sua direção em nossas vidas. No início ela parece vir sempre e de forma espetacular. Depois chega o momento em que ela já não parece vir sempre e se torna ocasional, até que definitivamente pareça tornar-se rara e nada espetacular. Com Israel foi assim. A princípio, Deus o guiou através de uma nuvem de dia e de uma coluna de fogo à noite: 
 
"O Senhor ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite.
Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite."
Êxodo 13:21,22. 
 
          Mas tão logo chegaram em Canaã, tudo mudou! Nem sequer ouvimos mais falar da coluna de nuvem e de fogo. Quando Deus dá instruções a Josué para atravessarem o Jordão, Ele diz que o povo deveria seguir a arca carregada pelos sacerdotes: 
 
"Sucedeu, ao fim de três dias, que os oficiais passaram pelo meio do arraial e ordenaram ao povo, dizendo: quando virdes a arca da Aliança do Senhor, vosso Deus, e que os levitas sacerdotes a levam, partireis vós também do vosso lugar e a seguireis.
Contudo, haja a distância de cerca de dois mil côvados entre vós e ela. Não vos chegueis a ela, para que conheçais o caminho pelo qual haveis de ir, visto que, por tal caminho, nunca passastes antes."
Josué 3:2-4. 
 
          Este tipo de direção não é nada espetacular. Quem carregava a arca eram homens e, antes, as colunas de nuvem e de fogo se moviam sobrenaturalmente. Isto fala de uma mudança que experimentamos na forma de Deus nos dirigir quando nos aproximamos de Canaã, o lugar da plenitude espiritual. 
 
          No início de nossa caminhada com o Senhor Jesus, muitos de nós temos experiências tremendas com a direção de Deus. São manifestações de todo gênero: sonhos, visões, palavras proféticas, textos bíblicos recebidos com grande impacto no íntimo e isso sem sequer termos procurado. Só que tempos depois, a "fonte" parece secar e este tipo de direção deixa de ser frequente. 
 
          Há pessoas que, para tudo o que iam decidir, oravam antes, e então abriam "aleatoriamente" suas Bíblias e sempre recebiam uma palavra específica para sua situação. Sabe, não duvido nenhum pouco que Deus se mova assim, pois já tenho visto muita gente recebendo muita resposta específica para o que buscavam em Deus. 
 
          Lembro-me em especial de uma ocasião em minha adolescência em que vi meu pai negociando um carro com uma outra pessoa que se dizia ser cristã, mas parecia estar querendo se aproveitar dele no negócio; meu pai pediu licença para aquele homem por um instante, entrou em casa, fez uma oração a Deus pedindo sua direção e abriu a Bíblia esperando uma resposta; caiu num texto do livro de Provérbios que diz o seguinte: "Nada vale, nada vale, diz o comprador; mas depois sai e vai-se gabando". 
 
          Coincidência? De forma alguma! Reconheço que Deus usa esta forma de falar com seus filhos, e eu mesmo tenho provado muito de orientações deste gênero. Mas penso que depender sempre deste tipo de orientação é algo infantil. O Pai quer que amadureçamos. Precisamos aprender a ouvir a voz do Espírito Santo em nossos corações. Paulo escreveu aos romanos que "todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus" (Rm.8:14). 
 
          E enquanto Deus trouxer este tipo de direção espetacular, não cresceremos a ponto de aprender a sermos sensíveis à voz do Espírito. Não estou dizendo que as manifestações espetaculares desaparecerão em definitivo de nossas vidas, mas que há um princípio de maturidade nisto, e que de fato precisamos aprender a sintonizar nosso coração com o Senhor. Jesus declarou que suas ovelhas ouvem a sua voz. 
 
          As manifestações espetaculares poderão vir como uma confirmação da própria direção divina, mas teremos que aprender a ouvir Deus. À semelhança do filhote da águia, teremos que aprender a voar. E meu conselho é que quando o Senhor sacudir sua asa e lançá-lo ao ar, você não murmure contra Ele e nem tampouco venha sentir-se abandonado, mas reconheça que é tempo de amadurecer.
 

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